Fumaça paralisa escolas e universidades, enquanto a indignação que marcou o debate ambiental na no governo Bolsonaro parece ter acabado. A Amazônia mudou ou mudou apenas o presidente?
A fumaça das queimadas voltou a castigar a Amazônia e já interfere diretamente na vida de milhares de brasileiros. Nesta segunda-feira (19), escolas das redes municipal e estadual de Manaus suspenderam as aulas presenciais por causa da péssima qualidade do ar. A medida também atingiu unidades de ensino no interior, enquanto a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) suspenderam atividades presenciais.
Só neste mês estudantes ficaram sem aulas várias vezes devido à fumaça das queimadas:
- 8 de outubro: Ufam e Ifam suspenderam atividades presenciais por causa da fumaça.
- 9 de outubro: a Prefeitura de Manaus suspendeu aulas para cerca de 242 mil estudantes da rede municipal. Escolas estaduais e universidades também interromperam atividades presenciais.
- 14 de outubro: as aulas municipais voltaram a ser suspensas, e a UEA também adotou a medida. Na rede estadual, houve redução do período de permanência dos alunos.
- 19 de outubro: novas suspensões atingiram as redes municipal e estadual, além da Ufam e da UEA.
Os números dão a dimensão da crise. Em 12 de outubro, o Amazonas já acumulava 7.815 focos de incêndio desde o início do ano, alta de 116% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Inpe. Na primeira quinzena de outubro, o estado registrou 1.679 incêndios, um salto de 253% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados citados pela Reuters.
O governo federal anunciou operações no Amazonas, com ampliação da frota aérea, mobilização de helicópteros e navios e aumento do número de profissionais envolvidos no combate ao fogo.
Com a fumaça espalhada pela capital, estudantes ficam sem aulas presenciais e a população é orientada a evitar exercícios ao ar livre e reduzir a exposição ao ar contaminado. Não é uma discussão abstrata sobre meio ambiente: é uma crise que afeta a saúde e a rotina de quem vive na região.
O silêncio seletivo
Durante o governo Jair Bolsonaro, as queimadas na Amazônia provocaram uma onda de protestos, campanhas de celebridades e cobranças públicas de artistas e ambientalistas. A crise virou símbolo de mobilização política, ganhou repercussão internacional e ocupou espaço constante no debate público.
Agora, com Lula na Presidência, a fumaça volta a comprometer a qualidade do ar, escolas fecham as portas e os incêndios avançam. Diante desse cenário, cabe perguntar: onde estão os artistas, as celebridades e os militantes ambientais que cobravam providências com tanta veemência?
Quem transformou a proteção da floresta em bandeira precisa demonstrar que ela não depende de afinidade política.
