Mercado financeiro reage com forte turbulência à vitória do petista. Moeda americana chega a R$ 5,60, enquanto juros futuros disparam e investidores reavaliam os rumos da economia.
O mercado financeiro deu um sinal de alerta nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Bolsa brasileira despencou, o dólar disparou e a B3 precisou interromper as negociações diante de uma onda de vendas de ações.
Por volta das 10h40, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía mais de 16%, aos 171 mil pontos. O tombo ocorreu depois que o índice atingiu uma queda de 10% logo no início do pregão, acionando o chamado circuit breaker — mecanismo que suspende temporariamente as operações para conter movimentos extremos do mercado.
A paralisação durou 30 minutos e foi a primeira desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.
Dólar chega a R$ 5,60
O câmbio também entrou em turbulência. Na abertura, o dólar comercial chegou a subir 12,52%, alcançando R$ 5,60. Por volta das 11h, a moeda americana ainda avançava mais de 10%, cotada a R$ 5,5092.
Os juros futuros seguiram o mesmo caminho, com altas expressivas. A taxa dos contratos com vencimento em janeiro de 2035 chegou a 15,375%, refletindo a mudança nas expectativas dos investidores.
Vitória de Lula surpreende o mercado
A reação negativa ocorre porque parte dos investidores apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que aparecia à frente em levantamentos eleitorais. A reeleição de Lula frustrou essa expectativa e provocou uma revisão das apostas para os próximos anos.
Segundo analistas, investidores esperavam uma mudança de governo e maior previsibilidade na condução das contas públicas. Com a confirmação de mais quatro anos de Lula, o mercado passou a reavaliar os riscos fiscais, a trajetória da dívida e as perspectivas para os juros.
O resultado foi uma forte pressão sobre os ativos brasileiros, em um pregão marcado pela volatilidade e pela incerteza sobre os próximos passos da política econômica.
