O novo Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, escancara um dado que chama atenção: o epicentro da violência no Brasil está no Nordeste.
As 10 cidades mais violentas do país estão concentradas em dois estados — Ceará e Bahia — ambos governados pelo PT. No ranking ampliado, o domínio regional continua: 17 das 20 cidades com maiores taxas de assassinatos ficam no Nordeste.
Cidades mais violentas do Brasil
1 – Maranguape (CE)
2 – Jequié (BA)
3 – Maracanaú (CE)
4 – Itapipoca (CE)
5- Caucaia (CE)
6 – Juazeiro (BA)
7 – Feira de Santana (BA)
8 – Porto Seguro (BA)
9 – Simões Filho (BA)
10 – Camaçari (BA)
11 – Sorriso (MT)
12 – Teixeira de Freitas (BA)
13 – Sobral (CE)
14 – Cabo de Santo Agostinho (PE)
15 – Lauro de Freitas (BA)
16 – São Lourenço da Mata (PE)
17 – Santana (AP)
18 – Ilhéus (BA)
19 – Marituba (PA)
20 – Salvador (BA)
Na prática, isso significa que o mapa da violência no Brasil hoje tem cor e localização bem definidas.
O estudo aponta que a principal engrenagem por trás dessa escalada é a guerra entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas, que tem transformado cidades médias em verdadeiros campos de disputa.
O Ceará é um dos principais pontos de domínio do CV no Nordeste. A facção tem forte presença nas periferias de Fortaleza e no interior, utilizando ramificações para lavagem de dinheiro e disputas territoriais pelo controle do tráfico.
A cúpula da facção na Bahia operava diretamente do Ceará. O CV tenta expandir seu domínio em território baiano — especialmente em Salvador e na Região Metropolitana — entrando em confronto com facções locais como o Bonde do Maluco (BDM).
A atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Ceará e na Bahia adota uma estratégia diferente da de seu principal rival, o Comando Vermelho. Em vez de focar apenas na expansão territorial urbana violenta, o PCC prioriza o controle das rotas de escoamento internacional de drogas e o suporte logístico/financeiro a facções locais aliadas.
Os números da violência no país são pesados: 42.590 assassinatos registrados em 2024, com taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Mas pode ser pior. Com a inclusão de homicídios ocultos — casos mascarados como “causa indeterminada” —, a estimativa salta para 49.673 mortes, elevando a taxa para 23,4 por 100 mil.
O retrato é claro: a violência no Brasil não está espalhada de forma igual — ela se concentra, cresce e avança onde o Estado não conteve o crime organizado.
