Governo deixará bomba fiscal para o próximo presidente, alerta IFI

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução

A conta da gastança vai ficar para o próximo presidente. O alerta é da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, que divulgou um relatório mostrando que o Brasil caminha para uma explosão da dívida pública caso o ritmo de aumento dos gastos continue. A projeção é preocupante: a dívida, hoje em 80,1% do PIB, pode disparar para 115% até 2036.

O diagnóstico é duro. Segundo o diretor da IFI, Alexandre Andrade, o atual arcabouço fiscal perde força já em 2028 e obrigará o próximo governo a mexer em temas explosivos, como aposentadorias, benefícios sociais e despesas com servidores. Traduzindo: quem assumir o Planalto em 2027 herdará uma bomba-relógio nas contas públicas.

E a situação só não ficou ainda pior por causa de um fator inesperado: a guerra no Oriente Médio. A alta do petróleo elevou a arrecadação com royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras, dando um fôlego extra de R$ 18,2 bilhões para o governo cumprir a meta fiscal de 2026. Sem essa receita extraordinária, o aperto nas contas seria ainda maior.

Mas a própria IFI deixa claro que esse respiro tem prazo de validade. O petróleo caro também encarece a gasolina, o diesel e o frete, alimenta a inflação, reduz o poder de compra da população e obriga o Banco Central a manter os juros elevados por mais tempo. O que ajuda momentaneamente o caixa do governo pesa diretamente no bolso do brasileiro.

O relatório também desmonta a ideia de que o problema será resolvido apenas com aumento de arrecadação. As despesas obrigatórias continuam crescendo mais rápido que as receitas, impulsionadas pela Previdência, BPC, seguro-desemprego, valorização do salário mínimo e pisos da saúde e educação. O resultado é uma sequência de déficits e uma dívida que não para de subir.

A conclusão da IFI é direta: sem uma revisão profunda dos gastos públicos, nenhuma regra fiscal conseguirá impedir o avanço da dívida. A herança para o próximo presidente será um Orçamento cada vez mais engessado e decisões impopulares que foram adiadas nos últimos anos.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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