A Âmbar Energia, empresa do grupo J&F dos irmãos Wesley e Joesley Batista, está em processo de aquisição da Amazonas Energia, distribuidora que acumula cerca de R$ 12 bilhões em dívidas. Embora a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tenha aprovado a transferência em setembro de 2025, a operação ainda não foi concluída. A efetivação depende de ajustes regulatórios e homologação judicial, e segue sob análise da Justiça Federal do Amazonas.
A negociação prevê um aporte de R$ 9,85 bilhões e teve como marco a Medida Provisória 1.232, editada em junho de 2024, que autorizou a venda direta da distribuidora. A MP perdeu validade em outubro, mas a Justiça determinou que a Aneel continue o processo, considerando a essencialidade do serviço.
O plano prevê que parte dos custos da operação sejam absorvidos pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), com repasse gradual aos consumidores ao longo de 15 anos. A Aneel flexibilizou metas regulatórias, permitindo à Âmbar até 14 anos para melhorar indicadores como perdas técnicas, inadimplência e eficiência operacional.
Documentos sob sigilo
A negociação segue sob sigilo, com documentos resguardados pela Aneel e pela Advocacia-Geral da União (AGU), que apontam necessidade de preservar estratégias jurídicas, após a aquisição de 13 usinas da Eletrobras pela Âmbar — 12 delas no Amazonas.
Essas usinas fornecem energia à Amazonas Energia e acumulam débitos de aproximadamente R$ 12 bilhões. Com a compra, a Âmbar assumiu o risco de não receber esses valores, e os custos foram incorporados à CCC, conforme previsto na MP 1.232.
- Com informações da Folha de São Paulo, Estadão e Gazeta do Povo
