O governo federal decidiu pisar no freio — mas só até passar a eleição. A definição das alíquotas do Imposto Seletivo foi jogada para depois do pleito, numa tentativa clara de evitar desgaste. Rebatizado de “imposto do pecado” para soar mais leve, o novo tributo vem com potencial de pesar justamente no bolso de quem consome itens populares como a cerveja e o refrigerante do churrasco do fim de semana.
Mesmo sem dizer quanto vai cobrar, a equipe econômica garante que o imposto começa em 2027. Traduzindo: o brasileiro ainda não sabe o tamanho da pancada, mas ela já tem data para chegar — e depende apenas do Congresso aprovar ainda este ano.
E não é só cigarro ou apostas: cerveja, refrigerante e bebidas açucaradas estão no alvo, assim como biscoitos e outros alimentos multiprocessados, o petróleo e o gás natural. Ou seja, produtos comuns no carrinho, no fim de semana e no tanque de combustível entram na conta. O imposto que nasce com discurso de “regular consumo” pode, na prática, encarecer hábitos cotidianos.
Nos bastidores, o atraso escancara o problema: pressão de setores, divergências internas e medo de desgaste político. No Congresso, cresce a desconfiança de que o imposto vire mais uma máquina de arrecadação, com risco até de estimular mercado ilegal.
No fim, o roteiro é conhecido: decisão adiada, nome suavizado — e a conta chegando depois.
