Câmeras da Gabriel são retiradas das ruas do Rio e Niterói após pressão da CPI da Alerj sobre prefeituras

Jefferson Lemos
No caso da Gabriel, a comissão identificou que os equipamentos estavam instalados em locais inadequados e interferiam no espaço urbano (Reprodução)

As mais de 400 câmeras da empresa Gabriel Tecnologias foram retiradas das ruas do Rio de Janeiro e de Niterói depois que as prefeituras foram pressionadas pela CPI das Câmeras da Alerj, presidida pelo deputado Alexandre Knoploch (PL). A medida, cumprida até dezembro de 2025, atendeu à notificação oficial que determinava a realocação dos equipamentos para espaços privados.

O sistema Gabriel, alvo central da investigação, operava sem convênio com o município Rio. O secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento do Rio, Gustavo Guerrante, reconheceu a irregularidade em depoimento à comissão.

O que motivou a retirada

A CPI apura o uso de imagens de videomonitoramento por empresas privadas e cooperativas ligadas à recuperação de veículos roubados. No caso da Gabriel, a comissão identificou que os equipamentos estavam instalados em locais inadequados e interferiam no espaço urbano. Guerrante reforçou que apenas o sistema oficial de vigilância pode operar em vias públicas e que a empresa não tinha autorização para manter câmeras em áreas abertas.

Multas e irregularidades

A Gabriel recebeu cinco multas em 2024, somando cerca de R$ 12 mil, por instalar câmeras sem autorização em áreas públicas. A comissão Civitas, formada por órgãos municipais, apontou que os dispositivos causavam interferência excessiva desde 2023. Com isso, a empresa foi obrigada a transferir os equipamentos para 317 endereços privados, como condomínios e estabelecimentos comerciais, até o fim de 2025.

O fundador da Gabriel, Erick Coser, justificou o tempo levado para o desligamento dos equipamentos. “Esse é um processo demorado, não é algo simples”, declarou.

Impacto e debate

A decisão abre um novo capítulo na discussão sobre privacidade, segurança e uso de tecnologia em espaços públicos. Moradores e comerciantes que dependiam do sistema Gabriel agora buscam alternativas, enquanto as prefeituras reforçam que apenas equipamentos autorizados pelo sistema oficial de vigilância podem permanecer nas ruas.

O caso expôs lacunas na regulamentação e colocou em xeque o papel das empresas privadas na segurança urbana.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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