Um áudio interceptado pelas forças de segurança do Rio de Janeiro escancara o desprezo pela vida humana. Segundo a polícia, Rafael de Oliveira Alves da Costa, o “RF”, apontado como um dos chefes do tráfico na comunidade do Castelar, em Belford Roxo, não apenas participou do tiroteio que matou o trabalhador Wanderley Silva Junior e feriu outros dois moradores — ele comemorou. “Amassei, mano… só rajadão de glock”, vangloriou-se, como se fosse narrador de videogame e não protagonista de uma tragédia real.
A ação da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Baixada Fluminense (DRFA-BF), com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE-BF), tinha como objetivo prender RF, substituto do “dono” da favela, José Severino da Silva Júnior, o Soró ou Jetta. O plano era simples: localizar e capturar o chefe. O resultado, porém, foi um cenário de guerra urbana. Três moradores atingidos, um morto, e cinco traficantes presos após resistirem na linha de frente para garantir a fuga do líder.
Inocentes como escudos humanos
O episódio revela a lógica cruel do crime organizado: quando acuados, os traficantes não hesitam em transformar moradores em escudos humanos ou saber se eles estão na linha de tiro. Segundo a polícia, os disparos foram feitos de forma indiscriminada, atingindo quem estivesse no caminho. Wanderley Silva Junior, trabalhador, virou vítima fatal de uma disputa que não escolhe alvo. O recado é claro: para os criminosos, vidas inocentes são descartáveis.
A festa da impunidade
O sarcasmo da situação é inevitável: enquanto o áudio mostra o bandido celebrando, a legislação brasileira segue generosa com quem espalha terror. Presos hoje, soltos amanhã — e prontos para repetir o espetáculo macabro. A sociedade assiste, impotente, ao teatro da impunidade, onde criminosos riem e trabalhadores choram.
A rotina da tragédia
Mais um dia, mais um tiroteio, mais uma família destruída. O Castelar virou palco de guerra, e a comemoração criminosa é a prova de que, para eles, matar é apenas parte do jogo. O problema não é falta de operação policial; é a certeza de que, no Brasil, a lei é branda e a vida de inocentes não vale nada para quem vive do crime.
