A Educação de Petrópolis entrou em modo de pressão máxima. Professores e demais profissionais da rede municipal cruzam os braços nesta quinta-feira (10) em uma paralisação de 24 horas, elevando o tom da queda de braço com a Prefeitura.
A mobilização ocorre em meio ao estado de greve aprovado pela categoria e tem uma pauta que vai direto ao bolso e às condições de trabalho: reajuste salarial, cumprimento do piso nacional do magistério, aumento do vale-alimentação, retomada dos enquadramentos funcionais e melhorias nas escolas.
No centro da bronca está o reajuste salarial. Segundo o Sepe, a categoria reivindica uma correção de pouco mais de 13%. Já a Prefeitura teria apresentado uma proposta de 4,64%, com pagamento somente a partir de janeiro. A diferença entre os números virou combustível para a mobilização.
E a lista de reclamações não para por aí.
Os profissionais também cobram aumento do vale-alimentação, atualmente pago por meio do cartão Ypê Social, além do cumprimento do piso nacional do magistério. A categoria questiona ainda o congelamento dos enquadramentos funcionais e aponta problemas de estrutura e falta de insumos nas unidades de ensino.
Outro ponto que esquentou ainda mais a disputa é o pagamento dos aposentados. Na quarta-feira (9), o Sepe entrou com uma Ação Civil Pública na Justiça para cobrar a regularização imediata dos proventos dos servidores aposentados da Educação municipal.
Ou seja: a paralisação de 24 horas não caiu do céu. É o resultado de uma negociação que não chegou a um acordo e de uma categoria que decidiu aumentar a pressão sobre o governo municipal.
E o movimento pode crescer. O calendário do Sepe prevê novos atos para sábado (12), com manifestações na Câmara Municipal, na Secretaria de Educação e na Prefeitura, além de uma nova assembleia para definir os próximos passos.
Prefeitura responde
Procurada, a Prefeitura de Petrópolis afirma que as reivindicações dos profissionais da Educação estão sendo discutidas junto às demais pautas do funcionalismo municipal, em conversas conduzidas pelo Executivo.
Segue a nota:
A Prefeitura informa que acompanha a paralisação convocada pelos profissionais da rede municipal de Educação para esta quinta-feira e segue em negociação com a categoria.
A proposta apresentada pelo município foi resultado de um amplo processo de diálogo, com diversas reuniões que resultaram em um acordo aprovado por todos os representantes das categorias de servidores, Sisep (Sindicato dos Servidores Públicos de Petrópolis), Aposentados, Guarda Civil, Fiscais, incluindo o sindicato dos profissionais da Educação. Agora, com tudo já pronto e acordado, o governo municipal não compreende o recuo da categoria neste momento. A mudança de postura surpreende a administração, sobretudo porque o sindicato participou ativamente de toda a construção da proposta e já havia sinalizado adesão aos termos acordados e do projeto de lei que seria enviado à Câmara.
Esse esforço de valorização não é isolado: a Prefeitura já convocou mais de 1.600 novos servidores para a Educação por meio de concurso público e concretizou o aguardado reenquadramento dos secretários escolares — avanços que se somam ao acordo agora contestado pelo sindicato, mesmo diante de um cenário de grave crise financeira herdada pela atual administração. É importante lembrar que os servidores não tiveram reajuste em 2024, mas em 2025, com responsabilidade fiscal, a Prefeitura concedeu 8% de recomposição. Já sobre o Todos Somos Professores, as negociações acontecem de forma paralela, com reuniões frequentes, inclusive uma que estava marcada para esta quinta-feira.
Para mitigar os impactos da paralisação de hoje no cotidiano das famílias, a Secretaria de Educação orientou a rede municipal para garantir o menor prejuízo possível:
• Atendimento nas unidades: as equipes gestoras avaliam o quadro de profissionais presentes para informar à comunidade escolar sobre o funcionamento parcial de turmas ou adequações de turno.
• Reposição de aulas: todo o conteúdo pedagógico e as aulas suspensas serão integralmente repostos, garantindo o cumprimento dos 200 dias letivos.
A Prefeitura orienta os pais e responsáveis a buscarem informações específicas sobre o funcionamento diretamente nas secretarias das unidades escolares de seus filhos.
O município reitera seu respeito à livre manifestação da categoria, mas lamenta o retrocesso em uma etapa que já havia sido superada de forma democrática, mantendo as portas e os canais de diálogo abertos.
