A promessa de diálogo feita pela Prefeitura do Rio virou alvo de protesto às vésperas da operação Tolerância Zero. Nesta quarta-feira (15), cerca de 300 camelôs ocuparam a Avenida Atlântica, em Copacabana, acusando o município de dificultar a concessão de licenças para o comércio ambulante e alertando que a nova fiscalização pode resultar em apreensões de mercadorias e na retirada de trabalhadores da orla.
Organizado pelo Movimento Unido dos Camelôs (MUCA) e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal (Sindinformal), o ato reuniu ambulantes que afirmam não ser contra a organização do comércio, mas dizem que a Prefeitura fala em negociação enquanto milhares seguem sem autorização para trabalhar legalmente. Sem as licenças, temem ser considerados irregulares já no primeiro dia da operação e perder a única fonte de renda de suas famílias.
Fundadora do MUCA, Maria dos Camelôs criticou o que considera uma tentativa de associar toda a categoria ao crime organizado para justificar uma retirada em massa dos ambulantes da orla. Ela afirma apoiar a fiscalização, desde que os trabalhadores não sejam tratados como criminosos. “Se tem alguma coisa errada, o Estado tem que ir lá e tirar o que está errado, não tirar os trabalhadores”, afirmou. Segundo ela, a categoria quer atuar de forma regular, mas esbarra em um “muro burocrático” para conseguir autorização. “Nós queremos organização. É fundamental que a Prefeitura reconheça os camelôs como trabalhadores”, completou, ao pedir uma reunião com o prefeito Eduardo Cavaliere.
Com faixas, cartazes e panelas, os manifestantes caminharam do Copacabana Palace em direção ao Leblon, ocuparam duas faixas da Avenida Atlântica e cobraram que a Prefeitura destrave a concessão das licenças antes de endurecer a fiscalização. O vereador Leonel de Esquerda (PT), que acompanhou o ato, afirmou que os ambulantes defendem regras e regularização, mas rejeitam medidas repressivas contra quem vive do comércio informal.
O protesto foi o segundo em apenas uma semana. No ato anterior, em frente à Prefeitura, na Cidade Nova, ambulantes bloquearam uma faixa da Avenida Presidente Vargas para cobrar diálogo antes do início da operação. A manifestação terminou em confusão, com policiais militares usando spray de pimenta para dispersar os participantes.
