O Carnaval do Rio voltou a colocar em pauta a polêmica em torno dos tradicionais bate-bolas. Após a prisão de mais de 120 criminosos disfarçados durante os desfiles, o governador Cláudio Castro irá analisar uma proposta que obriga os grupos a se cadastrar previamente na Secretaria de Turismo e em batalhões da Polícia Militar.
A indicação legislativa, que será encaminhada nesta quarta-feira (18) pelo deputado Dionísio Lins (Progressista), prevê que cada integrante forneça nome completo, identidade, CPF, endereço residencial e profissional, além de telefone de contato. O registro deverá ser feito com pelo menos 15 dias de antecedência às apresentações.
Segundo Lins, a medida não busca sufocar a manifestação cultural, mas sim dar suporte às autoridades. “Esses indivíduos muitas vezes se utilizam do anonimato atrás dessas fantasias para praticarem atos de violência e crimes”, justificou o parlamentar.
Tradição sob vigilância
Os bate-bolas — ou Clóvis — são personagens emblemáticos do Carnaval de rua nos subúrbios cariocas e na Baixada Fluminense. Com fantasias exuberantes, máscaras e bolas de borracha presas a bastões, eles percorrem as ruas em cortejos animados.
Mas, de acordo com a Polícia Militar, criminosos têm se infiltrado nesses grupos para promover confrontos e delitos, o que exige reforço constante no policiamento. A proposta de cadastro surge como tentativa de equilibrar a preservação da tradição com a necessidade de conter a violência que insiste em se esconder atrás das cores e máscaras do Carnaval.
