A SuperVia saiu de cena, a TrensRJ assumiu a operação, mas para os passageiros, os velhos problemas do sistema ferroviário do Rio continuam no caminho.
Desde a mudança de operação, em 30 de maio, usuários seguem relatando transtornos relacionados a falhas, interrupções, atrasos e problemas de infraestrutura. A nova operadora assumiu a malha, mas episódios recentes mostram que a transição ainda está longe de significar uma rotina tranquila para quem depende do trem.
Em 18 de agosto, por exemplo, uma composição apresentou falha entre as estações Realengo e Magalhães Bastos, no ramal Santa Cruz. Passageiros precisaram caminhar pela via férrea até a estação. Segundo a TrensRJ, o trem foi retirado às 8h18 e a operação foi normalizada. A empresa informou ainda que investigaria as causas do problema.
Mais recentemente, em 17 de setembro, uma fiscalização da Agetransp encontrou seis escadas rolantes completamente fora de operação na estação Méier, na Zona Norte. Os equipamentos atendem acessos às ruas Arquias Cordeiro e Amaro Cavalcanti e também fazem a ligação entre o mezanino e a plataforma.
A agência reguladora determinou que a TrensRJ apresente, em caráter de urgência, um cronograma com os prazos para início e conclusão dos reparos. Também cobrou adequações na sinalização e a garantia de rotas alternativas para idosos e pessoas com deficiência.
A nova gestão alega que herdou uma estrutura problemática. A própria TrensRJ afirma que recebeu um sistema que necessita de reformas profundas, incluindo intervenções em trilhos, dormentes, sinalização e redes aéreas.
O governo estadual, por sua vez, afirma que está investindo na recuperação da malha. Segundo a PGE-RJ, o contrato prevê mais de R$ 600 milhões em investimentos ao longo de cinco anos, enquanto o Estado afirma já ter realizado mais de R$ 160 milhões em melhorias durante o processo de transição.
A questão agora é saber quando a melhora no serviço vai aparecer. Porque, para o passageiro, pouco importa quem está no comando da operação. A cobrança é bem mais simples: querem apenas trens e estações funcionando.
