Golpe do táxi: Por que Buenos Aires dá um banho no Rio e nos protege dos ‘espertinhos’ de aeroporto?

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Foto - Reprodução

Enquanto a Argentina criou um sistema ‘anti-malandro’ que elimina a barganha nos aeroportos, o Rio de Janeiro  deixa turistas à mercê da lábia dos golpistas na calçada. Entenda por que o Rio ficou para trás

Sabe aquele frio na barriga que todo viajante sente ao desembarcar em um aeroporto desconhecido? O medo não é do voo, é da calçada. O medo de cair no clássico “golpe do táxi”.  A verdade nua e crua é que, no quesito segurança no desembarque, Buenos Aires está dando um banho no Rio de Janeiro.  Buenos Aires fecha o preço antes da corrida. O Rio também oferece uma sugestão de preço fixo, mas não obriga todos os táxis a trabalhar com ela.

Buenos Aires: o preço vem antes da corrida

Se você desembarcar no Aeroparque, o aeroporto central de Buenos Aires, vai notar a diferença de cara. O governo portenho instalou totens digitais logo na saída das malas. O funcionamento é simples: você chega na máquina, digita o endereço do hotel e quantas malas tem. O sistema calcula a tarifa oficial e imprime um papel com um código QR e o preço exato em pesos.

Também existem cartazes com QR espalhados pela fila de desembarque. Você aponta a câmera do seu celular  para esse QR Code do cartaz (conectado ao WI-FI gratuito do aeroporto), preenche o destino no site do governo que se abre e o sistema gera o seu ticket digital, com a tarifa fixa na tela.

A mágica acontece na calçada. Você entra no táxi oficial, entrega o papel ao motorista  ou mostra a tela do celular e ele escaneia o QR Code no celular dele. Acabou. Não tem “adicional noturno” inventado na hora, não tem “taxa de trânsito”, não tem choradeira. O taxista não tem margem para abrir a boca e tentar te passar a perna. É o fim do fator humano na hora de cobrar.

O sistema também conta com mecanismos de controle dos veículos que entram na área oficial de táxis do Aeroparque. É tecnologia, fiscalização e, principalmente, previsibilidade.

Foto – Divulgação/PMRJ

Enquanto isso, na Cidade Maravilhosa… O ‘Uber com Grife’

Aí você volta para o Rio, desembarca no Galeão ou no Santos Dumont. É verdade que  há tabela de cobrança antecipada por tabela pré-fixada nesses locais, divulgadas pela prefeitura. Mas ela só serve para quem se dirige a pontos turísticos ou locais de grandes eventos. 

Já o aplicativo ‘TAXI.RIO” funcionam como um Uber, mas diferente dele, o passageiro não sabe quanto vai pagar antes da viagem, tem apenas uma previsão que pode não se concretizar. No fundo o aplicativo é quase um espelho do taxímetro. Se você pegar um congestionamento atípico de uma hora parado no trânsito, o valor final vai subir, pois a tarifa de “hora parada/tempo de espera” do táxi continuará rodando. Se você pegar um congestionamento atípico de uma hora parado no trânsito, o valor final vai subir, pois a tarifa de “hora parada/tempo de espera” do táxi continuará rodando.

E é nessa brecha que entra o ‘espertinho’

A Prefeitura diz que fiscaliza  e realiza operações contra irregularidades. Também existem pontos oficiais e canais para denunciar abusos. Mas o problema do aliciamento de passageiros nos aeroportos é real. Operações costumam flagrar motoristas não credenciados e pessoas oferecendo corridas irregulares no Galeão.

A calçada dos aeroportos cariocas continua sendo dominada pelos chamados “puxadores”. Homens sem uniforme que circulam livremente pelo saguão, te cercam com as malas e usam uma lábia profissional: “Ih, chefe, o aplicativo tá fora do ar”, “Olha, a corrida pelo app vai dar R$ 40, entra aqui que eu faço por R$ 35”.

Quem cede à pressão descobre o drama na chegada ao hotel: o motorista desliga o aplicativo, inventa taxas de bagagem ou aplica o infame “golpe da maquininha” (onde o valor na tela do cartão magicamente ganha um zero a mais).

Quem ganha a corrida?

O sistema de Buenos Aires vence porque protege o passageiro antes dele sair do aeroporto, tirando o poder de barganha do motorista. O Rio criou uma tecnologia no celular que não dá segurança em relação ao valor da corrida e ainda parece ter esquecido de limpar a bagunça que acontece na calçada.

Se liga, Rio: os Hermanos aprenderam a jogar o jogo. Quando vamos entrar em campo? A prefeitura não se pronunciou sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação oficial.

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