O turista alemão não foi baleado. Mas a narrativa sobre o Rio já estava pronta

Jefferson Lemos
Foto - Divulgação/Deat

Houve assalto, houve disparo e houve ferimento. O que não houve foi uma bala atingindo o turista. E talvez esse detalhe seja inconveniente para quem gosta de vender a imagem de um Rio permanentemente em estado de caos.

O turista alemão Veit Gesrsheler, de 57 anos, sofreu uma queda ao reagir a um assalto na tarde desta terça (22) em Santa Teresa e precisou levar seis pontos na cabeça. Ao contrário do que foi amplamente noticiado, ele não foi baleado.

Tem assalto no Rio? Tem.

Tem criminoso armado? Tem.

Tem violência no Rio? Infelizmente, tem.

Mas o turista alemão não foi baleado.

E esse detalhe, que deveria ser apenas uma correção jornalística, acaba levantando uma discussão maior sobre a forma como determinados grupos políticos e setores da mídia tratam a violência no Rio de Janeiro.

A violência não existe apenas em Copacabana, Ipanema ou Santa Teresa. Ela atravessa divisas.

Está no Norte. Está no Nordeste. Está no Centro-Oeste. Está no Sudeste. Está no Sul.

O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou oficialmente 42.590 homicídios no período de um ano, taxa de 20,1 por 100 mil habitantes.

As maiores taxas oficiais entre os estados ficaram em Amapá, Bahia, Pernambuco e Ceará.

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 dos 20 com maiores taxas estavam no Nordeste.

Mas o Rio de Janeiro segue sendo o patinho feio da história.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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