Durante uma operação nesta quarta (30) na Comunidade Dois Irmãos para reprimir disputas territoriais entre milicianos e o TCP, criminosos escondidos na mata atiraram em direção à Transolímpica. Um dos disparos teria atingido o peito de um passageiro do BRT que apenas voltava para casa. A vítima não resistiu.
O cenário de terror e pânico na Zona Oeste do Rio de Janeiro escancara uma realidade difícil de ignorar: enquanto o governo federal hesita em enquadrar facções criminosas como grupos terroristas, a população vive sob a sombra exata de táticas de terror.
A própria Polícia Militar confirmou que atirar de forma aleatória em vias públicas movimentadas para instaurar o caos e desviar a atenção das forças de segurança virou método operacional do Terceiro Comando Puro (TCP) — uma estratégia que coloca milhares de trabalhadores na linha de tiro a todo instante.
“É uma estratégia deles atirar contra vias quando são acuados para desviar a atenção. Eles usam pessoas inocentes de forma inconsequente”, declarou a porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudia Moraes.
A fala da corporação escancara o modus operandi: provocar pânico deliberado na população civil para coagir o Estado e facilitar a fuga de criminosos.

Terrorismo na prática, burocracia na teoria
Embora a legislação atual do governo federal diferencie o crime organizado do terrorismo formal — justificando que facções buscam o lucro financeiro do tráfico e não bandeiras ideológicas ou políticas —, para quem está dentro de um ônibus perfurado por balas de fuzil a distinção deixa de existir.
A PM informou que a operação resultou na apreensão de fuzis, prisão de criminosos e na descoberta do acampamento usado pelos atiradores na área de mata. Contudo, a perda de uma vida inocente impediu qualquer celebração de sucesso. A Polícia Civil investiga a origem exata do disparo, mas a constatação que fica para o cidadão comum é clara: nas ruas do Rio, o terrorismo urbano já é uma dolorosa realidade diária.
