A Guarda pediu, a Guarda lotou a galeria — e a Guarda venceu. A Câmara do Rio aprovou nesta terça-feira (1º), em primeira discussão, o projeto que autoriza o uso de arma de fogo pelos agentes municipais. O placar: 43 votos a favor e 7 contra, com 50 vereadores votando. Precário? Não. Dois terços cravados e sobra de munição política.
O texto aprovado foi o Substitutivo nº 2 ao PELOM 23/2018, resultado de articulação que uniu oposição, independentes e nomes da base. A força da costura teve nomes: Dr. Gilberto (SDD), relator e rosto do projeto; Carlo Caiado (PSD), presidente da Casa; e bancada do PL, que fez questão de lembrar que o projeto não é de Paes. “Foi o prefeito quem perdeu”, resumiu Paulo Messina (PL), em modo ‘toma que o tombo é teu’.
Antes da articulação avançar, o prefeito Eduardo Paes recuou duas vezes. Primeiro, retirou seu projeto original que criava uma nova Força de Segurança Municipal armada, paralela à Guarda. Depois, apresentou uma proposta que incorporava a Guarda a essa nova estrutura, com contratação de temporários por até seis anos — ideia que também naufragou diante da reação da Câmara e da própria corporação.
O substitutivo aprovado também sepulta o dispositivo que previa uso da arma só durante o turno de serviço. O texto final deixa claro: o uso de arma de fogo será possível, desde que previsto em lei específica, com treinamento regular e capacitação.
Rogério Amorim, líder do PL na Casa, chamou o projeto inicial do Executivo de “guarda bolivariana” e mandou o recado: “O PL não vai aceitar jabuticabas e puxadinhos armados com contrato temporário”. Rafael Satiê (PL), por sua vez, disparou contra a “subutilização proposital” da Guarda pelo prefeito e celebrou: “Pode espernear, vai ter guarda armada, sim!”
No campo da razão com pitada de emoção, Leniel Borel (PP) cobrou políticas voltadas à proteção da infância e valorização dos servidores: “Quem cuida da segurança da cidade precisa de respaldo digno.” Já Fernando Armelau (PL) lembrou o atraso do Rio em relação a cidades como São Paulo e fez questão de frisar: “A política armamentista que aumenta a violência é a do crime organizado, não da Guarda Municipal.”
Terminada a votação, os aplausos deram lugar a um coro potente vindo da galeria: “A guarda unida jamais será vencida!”
E, ao que tudo indica, pelo menos hoje, não foi mesmo.