Análise: As manifestações do bolsonarismo

Lucas Mathias

Sob o lema “Acorda, Brasil!”, o bolsonarismo se reuniu em mais de dez capitais neste domingo, 1º, na primeira grande manifestação de força deste ano. De Porto Alegre a Brasília, passando por Maceió, Rio de Janeiro e Salvador, conservadores protestaram contra a prisão de Jair Bolsonaro e a gestão do presidente Lula (PT). Foco das manifestações, foi São Paulo, porém, que reuniu os principais quadros da direita nacional — naturalmente, com os holofotes voltados para o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

Prestigiado por colegas como o parlamentar Nikolas Ferreira (PL), o pastor Silas Malafaia e o governador de Goiás Ronaldo Caiado (União), Flávio chegou à Avenida Paulista muito aplaudido pelo povo que o aguardava. Esta foi sua primeira aparição para um público tão grande depois de confirmada sua intenção de concorrer ao Planalto. Ainda assim, ao discursar, demonstrou equilíbrio e clareza para passar recados bem endereçados.

Centrado, o senador evitou ataques a outros poderes e dedicou boa parte de seus 17 minutos de fala para criticar pontos sensíveis da gestão petista. Criticou as viagens de Lula, assim como os gastos de seu cartão corporativo, além da política fiscal praticada pelo governo federal, na figura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Acenou, por outro lado, aos jovens estudantes em busca de emprego e oportunidades de crescimento, assim como às mulheres, diariamente vítimas de violência doméstica.

Também foi apaziguador. Flávio fez questão de agradecer a Nikolas pela caminhada feita de Minas Gerais ao Distrito Federal, disse contar com a ajuda do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), e agradeceu à presença no ato de Caiado e do governador mineiro Romeu Zema (Novo), possíveis adversários na disputa pelo Planalto.

Ao tratar da prisão do pai, lembrou também dos presos do 8 de janeiro. E revelou uma promessa feita em sua mais recente visita a Jair. “Pai, em janeiro de 2027 você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro!”, afirmou, com a confiança de quem discursava para uma multidão.

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