A política tem dessas ironias que nem roteirista de novela ousaria inventar.
Em 2015, uma obra da Prefeitura de Niterói na Rua Moreira César, em Icaraí, virou um pesadelo para os comerciantes. Entre eles estava Fernanda Louback, então dona de uma loja de semijoias. Com o acesso prejudicado, os clientes sumindo e as contas chegando, o negócio acabou fechando as portas.
Fernanda reclamou com a Prefeitura, alertou para os prejuízos e pediu providências. Foi ignorada. Para uma mãe atípica que precisava trabalhar para sustentar os filhos, o problema estava longe de ser apenas financeiro. Era o sustento da família que estava em jogo.
Até aí, seria apenas mais uma história de comerciante pagando a conta de uma obra pública.
Só que não.
Fernanda não se rendeu à vitimização. Em vez de transformar a derrota em lamento, transformou a indignação em combustível político. Entrou para a vida pública, elegeu-se vereadora de Niterói pela oposição e passou a fazer justamente o que costuma incomodar quem está no poder: fiscalizar e cobrar a administração municipal.
Mas a ironia estava apenas começando.
Agora, Fernanda foi eleita vice-governadora na chapa de Douglas Ruas, uma das posições mais importantes da política fluminense, derrotando justamente os candidatos apoiados pelo prefeito de Niterói.
Convenhamos: se alguém tivesse escrito esse roteiro em 2015, diriam que era exagero.
Mas o mundo dá voltas. E a política, às vezes, capricha mais que a ficção.
Que essa história sirva de lição para os que se acham donos do poder.
