Se o Brasil tributa mais, o Paraguai ganha mais. Simples assim. O vizinho quer deixar de ser apenas fornecedor de energia e terras baratas para se firmar como polo industrial competitivo. E, convenhamos, com Brasília dificultando a vida dos investidores, o jogo fica fácil para Assunção.
É que a partir deste ano, quem ganha acima de R$ 600 mil por ano no Brasil terá de pagar uma alíquota mínima progressiva, que chega a 10% para rendas acima de R$ 1,2 milhão. Dividendos acima de R$ 50 mil mensais também passam a ser tributados em 10%. Até ontem, eram isentos.
Com isso, empresários e investidores, acostumados a ver dividendos como a parte mais doce do negócio, agora encaram um corte no lucro líquido. E quando o retorno cai, o capital não pensa duas vezes: procura outro endereço.
Paraguai abre os braços
Do outro lado da fronteira, o discurso é simples e sedutor: impostos baixos, regras claras e promessa de não mexer na carga tributária até 2028. Para quem está cansado da instabilidade brasileira, soa como música.
Os números confirmam
– Em 2025, mais de 22 mil brasileiros pediram residência no Paraguai, muitos por motivos fiscais.
– A indústria maquiladora deve superar US$ 1 bilhão em exportações neste ano, com o Brasil como principal destino.
– O setor já gera mais de 35 mil empregos e cresce 23% ao ano.
A aposta paraguaia
A estratégia é clara: transformar a vantagem tributária em salto estrutural. O Paraguai quer ser visto não apenas como vizinho barato, mas como polo competitivo de produção global.
Brasília fala em justiça fiscal, Assunção fala em oportunidade. Resultado: o Brasil aperta, o Paraguai agradece — e os investidores já sabem para onde apontar o GPS.
