Enquanto a população depende do SUS para conseguir consultas, exames e medicamentos, o Fundo Municipal de Saúde de Paraíba do Sul autorizou uma adesão a uma ata de preços que pode chegar a R$ 1,94 milhão para estruturas e serviços de eventos. Na lista, tem máquina de fumaça, iluminação profissional, palcos, sonorização, carro de som, camisetas personalizadas e até locutor.
A autorização foi publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro em 9 de outubro de 2026. A contratação prevê adesão a uma ata de registro de preços de Cachoeiras de Macacu, tendo como beneficiária a empresa DMX Soluções Integradas Ltda.
Locutor por R$ 92 mil. Fumaça na conta da saúde?
Um dos itens chama a atenção: 50 diárias de locutor profissional, com seis horas cada, ao custo total de R$ 92.250. Na ponta do lápis, são R$ 1.845 por diária.
E não para por aí. A lista inclui máquinas de fumaça de 3 mil watts, estrobos, refletores de LED e iluminação profissional. Parece estrutura de balada, não de uma secretaria responsável pela saúde da população.
O pacote também prevê palcos, galpões de alumínio, sonorização para eventos com público de até 2.500 pessoas e 500 horas de divulgação por carro de som, ao custo de R$ 54.950.
Até camisetas entraram na conta: são 1.912 unidades de manga longa, em tecido Dry Fit com proteção UV, por R$ 68.449,60.
R$ 1,94 milhão representa um limite autorizado para futuras contratações, e não uma despesa já realizada. Os serviços ainda dependem de formalização.
Mas a pergunta continua de pé: quais eventos justificam essa estrutura e por que a contratação está vinculada ao Fundo Municipal de Saúde?
No fim das contas, o contribuinte não quer ver o dinheiro da saúde virar fumaça. Quer ver recursos transformados em consultas, exames, medicamentos e atendimento digno para quem depende do SUS. Com a palavra, a prefeitura. O espaço segue aberto para pronunciamento oficial.
