Angra dos Reis decidiu colocar a criançada para brincar — mas quem pode acabar se divertindo mesmo é quem olhar a planilha da contratação.
Uma Ata de Registro de Preços publicada pela Prefeitura prevê até R$ 3.374.298,43, por 12 meses, para serviços recreativos e distribuição de alimentos em eventos públicos.
No cardápio: tobogãs, castelinhos, futebol de sabão, camas elásticas, piscinas de bolinhas, guerra de cotonetes, centopeia gigante, personagens vivos, pintura facial, esculturas em balões, pebolim, pingue-pongue e até espaços “instagramáveis”.
Mas um detalhe chama atenção. A vencedora, a Kiara Comércio e Serviços Ltda., foi fundada em 2022 com capital social de R$ 20 mil e tem como atividade principal registrada serviços combinados de escritório e apoio administrativo.
E existe uma segunda história por trás do parquinho.
A empresa é representada por um ex-ocupante de cargo comissionado da própria Prefeitura de Angra.
Documento oficial mostra que ele foi nomeado, em 19 de setembro de 2011, para o cargo de Assessor de Fomento e Captação de Recursos da Fundação Cultural do Município, símbolo CC-3.
Isso, por si só, não significa ilegalidade. Mas a conexão levanta uma pergunta legítima: como uma empresa de apoio administrativo, representada por um ex-comissionado da Prefeitura, chegou a uma ata que pode movimentar R$ 3,37 milhões em serviços recreativos?
No fim das contas, fica a pergunta que merece resposta pública:
quanto vai custar a brincadeira — e quem vai pagar essa conta?
Com a palavra, a Prefeitura. O espaço segue aberto para pronunciamento.
