Enquanto o governo brasileiro insiste no discurso oficial de neutralidade e defesa do diálogo no conflito no Oriente Médio, mas na prática se manifesta com mais dureza contra as ações militares dos Estados Unidos e de Israel do que contra a ditadura iraniana, o regime dos aiatolás vive uma escalada de repressão que inclui recorde de execuções, perseguição a opositores e até a advogados que tentam impedir condenações à morte.

Desde o início de julho, iranianos exilados a na Inglaterra organizam uma exibição marcante chamada “Corredor de Crimes de Ali Khamenei” na praça Trafalgar Square, expondo painéis com os históricos de repressão política e execuções no Irã.

Os números são estarrecedores. Organizações internacionais de direitos humanos estimam que cerca de 900 pessoas já foram executadas pelo regime iraniano apenas em 2026 — podendo o total ser ainda maior por causa dos quase três meses de apagão da internet impostos pelo governo. Só em junho, mais de 100 pessoas foram enforcadas, consolidando o Irã como um dos países que mais executam presos no planeta. Entre as vítimas estão manifestantes, opositores políticos e condenados em julgamentos denunciados por falta de garantias legais e confissões obtidas sob tortura.

A máquina repressiva também passou a mirar quem ousa defender os acusados. Advogados especializados em direitos humanos estão sendo presos, processados, intimados e monitorados pelos serviços de inteligência do regime. Há relatos de celulares e computadores confiscados, condenações por “propaganda contra o Estado” e até assassinatos e tentativas de homicídio contra profissionais da advocacia. Nas prisões, o cenário é de desespero: detentos iniciaram greve de fome, costuraram os próprios lábios e imploram ajuda da comunidade internacional para impedir novas execuções.

Os mesmos setores da esquerda que costumam levantar a bandeira dos direitos humanos e denunciar violações cometidas por governos alinhados à direita têm mantido silêncio diante de uma ditadura que enforca opositores em praça pública, prende advogados e sufoca qualquer forma de dissidência. A pergunta que fica é incômoda: os direitos humanos são universais ou passam a depender de quem está no poder e da conveniência ideológica do momento?
