A promessa de transparência do Jaé foi colocada contra a parede nesta terça-feira (4), durante uma audiência na Câmara do Rio. Motoristas de vans cobraram explicações sobre o destino dos recursos arrecadados pelo sistema de bilhetagem e exigiram tratamento igual ao dado aos ônibus, que recebem subsídios milionários da Prefeitura.
O recado da categoria foi direto: enquanto o Jaé movimenta milhões, quem transporta mais de 500 mil passageiros por dia continua sem ajuda financeira para renovar a frota e manter o serviço funcionando. Segundo os permissionários, a falta de recursos está sucateando o transporte complementar e tornando cada vez mais difícil conseguir financiamento para comprar novos veículos.
Durante o debate, representantes das vans defenderam que parte dos recursos do Jaé seja destinada ao transporte complementar e cobraram transparência total nos critérios de distribuição do dinheiro. A reivindicação reforça as críticas de que a prometida “caixa-preta” da bilhetagem ainda não foi totalmente aberta.
A Prefeitura informou que estuda criar um modelo de remuneração por quilômetro rodado e revisa toda a legislação do setor. Mas deu um balde de água fria na categoria: não haverá subsídio para as vans em 2026. Segundo o governo municipal, qualquer repasse dependeria de remanejamento orçamentário, e a discussão ficou empurrada para o orçamento de 2027.
Insatisfeitos, vereadores decidiram criar uma comissão para pressionar a Prefeitura a apresentar estudos sobre a divisão dos recursos do Jaé e a equiparação dos subsídios. A cobrança aumenta a pressão sobre o sistema de bilhetagem, lançado com a promessa de acabar com a “caixa-preta” do transporte, mas que continua cercado de dúvidas sobre quem recebe, quanto recebe e como esse dinheiro é distribuído.
