Onda bolsonarista atropela caciques e deixa PT e aliados pelo caminho

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Foto - Montagem/Divulgação

A eleição de 2026 não foi apenas uma disputa pelo Planalto. As urnas também deram um recado duro para uma série de nomes tradicionais da esquerda e do centro político. De Fernando Haddad (PT-SP) a Gleisi Hoffmann (PT-PR), passando por Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL), vários caciques ficaram pelo caminho.

O resultado mais simbólico veio de São Paulo. Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda de Lula, foi novamente derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo paulista. Desta vez, porém, a diferença foi ainda maior: Tarcísio chegou a cerca de 62,8% dos votos válidos, contra 36,2% de Haddad. O governador venceu em praticamente todo o estado, consolidando a força do campo conservador no maior colégio eleitoral do país.

A derrota de Haddad também atingiu Márcio França (PSB), que integrou a chapa como vice. No Senado, a lista de derrotados reúne nomes de peso ligados ao governo Lula, como Marina Silva (Rede-SP), Simone Tebet (PSB-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Carlos Fávaro (PSD-MT) e Paulo Pimenta (PT-RS).

O desempenho dos ex-ministros de Lula ajuda a dimensionar o tamanho do revés: dos 22 que disputaram as eleições, apenas nove foram eleitos. Nenhum dos que concorreram a governador conseguiu vencer.

No Paraná, Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT e uma das principais dirigentes do partido, ficou sem uma cadeira no Senado. No Amapá, outra derrota de peso: Randolfe Rodrigues, líder do governo Lula no Congresso, terminou em terceiro lugar e perdeu a reeleição.

Em Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (PSB), eleita em 2018 como “a senadora de Bolsonaro”, também ficou fora. Depois de romper com o ex-presidente e se aproximar do campo lulista, não conseguiu a reeleição.

Até os velhos caciques caíram

Em Alagoas, o resultado foi ainda mais simbólico. Renan Calheiros (MDB) está fora do Senado depois de 32 anos na Casa. O senador ficou atrás de Arthur Lira e Marina JHC e deixará o Congresso em 2027.

A derrota atingiu a família em dose dupla. Renan Filho (MDB), ex-ministro de Lula, perdeu a disputa pelo governo de Alagoas para JHC (PSDB), que contou com o apoio de Flávio Bolsonaro.

No Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila (PSOL) ficou fora do Senado, enquanto Paulo Pimenta (PT) também não conseguiu a vaga.

No Distrito Federal, Erika Kokay (PT) não conseguiu transformar seus quatro mandatos na Câmara em uma cadeira no Senado.

No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) também não conquistou uma vaga no Senado.

A lista, porém, não se limita à esquerda. Aécio Neves (PSDB) não conseguiu voltar ao Senado por Minas Gerais, enquanto Esperidião Amin (PP) ficou fora da disputa em Santa Catarina. No Piauí, Ciro Nogueira (PP) não conseguiu a reeleição para o Senado.

Nem os presidentes da Câmara e do Senado escaparam

As urnas também frustraram projetos políticos de dois dos homens mais poderosos de Brasília.

No Amapá, Davi Alcolumbre (União Brasil) viu seu aliado Clécio Luís perder o governo para Dr. Furlan (PSD). Na Paraíba, Hugo Motta (Republicanos) sofreu um revés em casa: seu pai, Nabor Wanderley, perdeu a disputa pelo Senado.

O resultado deixa uma mensagem clara: nem a força acumulada em Brasília foi suficiente para garantir vitórias nas bases eleitorais.

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