Mais um imposto? Governo Lula agora quer taxar as criptomoedas

Jefferson Lemos
A proposta em análise prevê a cobrança de 3,5% de IOF sobre compras de ativos virtuais acima de R$ 10 mil — um mercado que até agora não sofria incidência desse tributo (Ricardo Stuckert/PR)

O governo federal voltou a mirar o bolso da classe média. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que estuda aplicar taxar operações com criptomoedas. A proposta em análise prevê a cobrança de 3,5% de IOF sobre compras de ativos virtuais acima de R$ 10 mil — um mercado que até agora não sofria incidência desse tributo. A medida ainda passará por consulta pública, mas já provoca reação entre investidores e especialistas.

O argumento oficial

Segundo a Receita Federal, a lógica é “equalizar” a tributação: quem compra dólar ou envia dinheiro para fora já paga IOF, portanto, o mesmo deveria valer para criptoativos. O alvo principal são as chamadas stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar, usadas por muitos brasileiros como forma de dolarização e remessa internacional sem impostos .

O impacto no bolso

– Arrecadação recorde: em 2025, o IOF rendeu R$ 86 bilhões ao governo, impulsionado por aumentos de alíquota.
– Expansão do setor: o volume em criptoativos no Brasil saltou de R$ 95 bilhões em 2020 para R$ 415 bilhões em 2024.
– Consumo crescente: só em 2025, brasileiros gastaram cerca de R$ 100 bilhões em criptomoedas.

Ou seja, o governo vê no setor uma oportunidade de ampliar a arrecadação, mas quem paga a conta é o investidor médio, não as grandes fortunas — que continuam blindadas de tributos mais pesados, apesar do discurso oficial.

O pano de fundo

A medida surge em meio ao esforço da equipe econômica para fechar o rombo fiscal e conter a perda de receitas. Mais uma vez, o caminho escolhido é ampliar impostos sobre operações acessíveis à classe média. O resultado é previsível: o contribuinte comum, já pressionado por inflação e juros altos, será novamente chamado a sustentar o ajuste das contas públicas.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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