O clima na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) esquentou nesta quarta-feira (15). Durante a votação do Projeto de Lei nº 7440/26, que amplia o acesso de estudantes da rede estadual às universidades, o deputado Renan Jordy (PL) anunciou que o Partido Liberal irá acionar o Conselho de Ética contra o deputado Professor Josemar (PSOL), acusado de agredir um videomaker na UERJ.
“Universidade é espaço de pluralidade, diversidade e debate de ideias. O que vimos foi uma atitude infame e covarde”, disparou Jordy, em tom de repúdio.
As assinaturas para a representação estão sendo colhidas pelo deputado Aleandre Knoploch (PL), que encaminhará o documento ao presidente da Casa, Guilherme Delaroli (PL).

O caso que incendiou o plenário
O episódio ocorreu na última segunda-feira (13), no campus da UERJ em São Gonçalo. Segundo relatos, o filmmaker Davy Silva, assessor do influenciador conservador Pedro Neto, foi surpreendido por um golpe conhecido como “mata-leão” desferido pelo deputado Professor Josemar. A cena foi registrada em vídeo.
Ainda segundo relatos, durante a confusão, o celular usado para gravar a situação foi tomado por um assessor do parlamentar e arremessado ao chão. A vítima registrou boletim de ocorrência por lesão corporal na 73ª DP (Neves).
Pedro Neto prometeu levar o caso à presidência da Alerj e pediu a cassação imediata do mandato de Josemar. “Eu só vou parar quando Josemar estiver inelegível e preso”, afirmou.

Reação do acusado
Professor Josemar alegou que foi provocado e que irá recorrer à Justiça contra o que chamou de “calúnias”. Em discurso, disse que não aceita práticas “fascistas intimidatórias” e garantiu estar aberto a esclarecimentos na Comissão de Ética.
“Quero dizer que outros deputados desta casa tiveram situações de violência, inclusive maiores, e nós efetivamente tratamos no campo politico. Estou aberto ao esclarecimento dentro de uma possível comissão de ética, mas não estamos aqui para ter tratamentos desiguais e sem medida reais e concretas”, declarou o parlamentar.
Com a representação anunciada pelo PL, o caso deve ser analisado pela Comissão de Ética da Alerj.
Confira a íntegra da nota divulgada pelo deputado estadual Professor Josemar (Psol)
O deputado estadual Professor Josemar (Psol) refuta as acusações esdrúxulas, por parte de influencer e militante bolsonarista, divulgadas nas redes sociais, sobre confusão ocorrida na noite desta segunda-feira (13), no campus da Uerj em São Gonçalo, e promete tomar as medidas judiciais cabíveis. A confusão ocorreu ao final de um debate em que Professor Josemar e Glauber Braga eram convidados para conversar sobre “Como salvar o Rio de Janeiro”. A reação do deputado foi uma atitude preventiva, uma vez verificada a intimidação do grupo do influencer, que se infiltrou no debate e, a seu término, partiu para provocar os participantes.
“Fomos surpreendidos por uma tentativa deliberada de desestabilização, por parte desse grupo bolsonarista, conhecido por táticas de intimidação, com histórico recorrente de perseguição a personalidades de esquerda, inclusive com ataques contra o próprio Glauber e a Lindberg Farias. Reafirmo que o debate político deve ser feito, mas é inadmissível perseguir deputados, causando instabilidade e insegurança. Vamos tomar as medidas judiciais cabíveis” , afirmou Professor Josemar.
