A visita do prefeito Eduardo Paes (PSD) à futura ‘Cidade do Samba 2‘ — prometida para estar pronta até o Carnaval de 2027 e destinada a abrigar as escolas da Série Ouro — mal esfriou, e já reacendeu a pressão pela conclusão das obras no novo espaço.
Menos de 24 horas após sua visita ao terreno da antiga Estação Leopoldina, onde será construída a chamada “Fábrica do Samba”, um incêndio de grandes proporções destruiu os barracões da Unidos de Jacarezinho e Acadêmicos de Vigário Geral, na Zona Portuária do Rio.
O episódio escancara a precariedade enfrentada pelas agremiações do grupo de acesso, que seguem operando em galpões improvisados, sem estrutura adequada e, como se vê, sem segurança mínima contra incêndios.
Se concluída a tempo, a promessa de Paes inclui 14 barracões com sistema de combate ao fogo. Até lá, as escolas seguem vulneráveis.
Recorrência de incêndios em escolas de samba
Em fevereiro deste ano, um incêndio na fábrica Maximus Confecções, em Ramos, na Zona Norte, destruiu todas as fantasias de três escolas da Série Ouro: Império Serrano, Unidos de Bangu e Unidos da Ponte. Outras agremiações também foram afetadas, como União do Parque Acari e Acadêmicos da Rocinha.
A recorrência desses episódios levanta uma pergunta inevitável: até quando o poder público vai tratar a maior manifestação cultural do país — o Carnaval — com descaso?
A Cidade do Samba 2 é uma promessa que chega tarde para quem já perdeu tudo mais de uma vez. Enquanto os barracões não saem do papel, o fogo segue sendo o maior inimigo do samba.
