O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apertou o cerco contra gadgets e mirou diretamente os eleitores que chegam às urnas com tecnologia de ponta, como óculos inteligentes, como o Ray-Ban Meta. Smartwatches e qualquer dispositivo vestível também estarão proibidos nas cabines de votação em 2026.
A medida não é por acaso. Em 2024, um escândalo sacudiu Ourilândia do Norte em 2024. No dia da votação, o vereador Irmão Edivaldo (MDB) foi flagrado em um suposto esquema de compra de votos que usava tecnologia para vigiar eleitores. Segundo as investigações, o parlamentar distribuía óculos com câmeras embutidas a pessoas aliciadas, exigindo que registrassem o momento do voto como prova da escolha.
A fraude só veio à tona porque uma mesária desconfiou da repetição de eleitores entrando na cabine com acessórios idênticos. A denúncia levou fiscais a inspecionar os dispositivos e confirmar a presença das câmeras. O caso ganhou repercussão nacional e, dois anos depois, resultou na cassação do mandato de Edivaldo, multa superior a R$ 53 mil e sua inelegibilidade até 2032.
Mudanças ainda estão em discussão
A decisão amplia restrições já previstas em lei e reforça que qualquer aparelho capaz de registrar ou transmitir informações — mesmo desligado — será barrado. O objetivo é blindar o sigilo do voto e evitar qualquer risco de espionagem digital.
O texto integra a minuta dos Atos Gerais do Processo Eleitoral e deixa claro: radiocomunicação, câmeras discretas e acessórios conectados entram na lista negra da Justiça Eleitoral.
As mudanças ainda estão em discussão, mas o cronograma já está definido: audiências públicas começam em 3 de fevereiro e a versão final das resoluções deve ser aprovada em 5 de março.
Em resumo: se você pensava em ir votar com seus óculos futuristas, esqueça. O TSE está de olho — e promete não dar brechas tecnológicas dentro da urna.
