A morte do ex-vereador e ex-deputado estadual Jorge Babu, neste domingo (8), aos 60 anos, reacende lembranças de uma das eleições mais acirradas e controversas da história recente do Rio de Janeiro. Em 2008, seu apoio ao então candidato Eduardo Paes foi explorado por Fernando Gabeira como símbolo de um suposto “vale-tudo eleitoral”. Gabeira acusava Paes de falta de ética ao se aliar a figuras investigadas por envolvimento com o crime para conquistar votos em Santa Cruz.
Escândalos e condenações
A trajetória de Babu foi marcada por episódios polêmicos. Em 2004, foi preso pela Polícia Federal em uma rinha de galos, ao lado do marqueteiro Duda Mendonça. Quatro anos depois, foi denunciado por formação de quadrilha e acusado de chefiar uma milícia na Zona Oeste. Em 2010, o Tribunal de Justiça do Rio o condenou a sete anos de prisão, e no mesmo ano foi demitido da Polícia Civil.
O peso eleitoral de 2008
Apesar das acusações, sua influência política foi decisiva. Paes venceu Gabeira por apenas 55 mil votos de diferença, e a força de Babu em Santa Cruz foi considerada crucial para virar o jogo contra o adversário, que dominava a Zona Sul e a Tijuca.
Carreira política e legado
Ex-policial civil, Babu construiu sua carreira com forte base em Santa Cruz. Foi vereador em 2000 e 2004, deputado estadual em 2006 e autor da lei que criou o feriado de São Jorge — medida de grande apelo popular. Sua base eleitoral o tornava um “fiel da balança” em disputas municipais.
Tentativa frustrada de retorno
Após cumprir pena, Babu tentou retomar a carreira política. Em 2024, concorreu à Câmara do Rio pelo União Brasil e obteve mais de 10 mil votos, mas teve o registro cassado pela Lei da Ficha Limpa. O Tribunal Superior Eleitoral negou seu último recurso, encerrando definitivamente sua trajetória política.
Últimos dias
Internado com problemas cardíacos e pneumonia, Jorge Babu morreu neste domingo. O velório aconteceu no Jardim da Saudade de Paciência.
