Tráfico de girafas: Justiça condena, mas ninguém vai preso

Jefferson Lemos
As girafas foram mantidas em baias inadequadas, com pouca luz, alta umidade e espaço reduzido. Três morreram logo após tentar escapar do confinamento em 2021, e uma quarta sucumbiu a uma doença muscular (Divulgação/PF)

Quatro anos após a importação irregular de 18 girafas da África do Sul para o BioParque do Rio e o Hotel Safari Portobello, em Mangaratiba, a Justiça Federal finalmente condenou os responsáveis. A decisão reconheceu contrabando, maus-tratos e fraude documental. Porém, apesar das penas que variam entre 1 e 5 anos de prisão, todos os réus cumprirão em regime aberto ou terão suas penas convertidas em restritivas de direitos. Nenhum deles ficará atrás das grades.

O maior caso de tráfico de animais da história

A Polícia Federal classificou o episódio como o maior caso de tráfico de animais da história do Brasil. As girafas foram mantidas em baias inadequadas, com pouca luz, alta umidade e espaço reduzido. Três morreram logo após tentar escapar do confinamento em 2021, e uma quarta sucumbiu a uma doença muscular. Laudos apontaram hematomas, lesões pulmonares e coágulos cardíacos, evidenciando intenso sofrimento.

Legislação branda e ultrapassada

Apesar da gravidade, a sentença escancarou a fragilidade da legislação ambiental brasileira. Crimes de contrabando e maus-tratos resultaram em penas brandas, facilmente substituídas por serviços comunitários ou multas. A ausência de prisão efetiva reforça a percepção de que o sistema jurídico estimula a reincidência e a impunidade, mesmo em casos de repercussão internacional.

Animais ainda confinados

Das 18 girafas importadas, 14 permanecem vivas em Mangaratiba. O Ibama afirma que elas estão em boas condições, mas ainda não definiu o destino final dos animais. Enquanto isso, o episódio segue como símbolo da incapacidade do Brasil de lidar com crimes ambientais de grande porte e maus tratos a animais.

Esse caso, que deveria marcar um divisor de águas na proteção da fauna, terminou em pizza: sem prisão, sem responsabilização efetiva e com a certeza de que a legislação brasileira continua a falhar em proteger os animais e punir os responsáveis.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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