Até quando? Branquinha, cadela comunitária de praia na Região dos Lagos é morta com facada

Jefferson Lemos
O animal foi encontrado gravemente ferido na última terça (13) em um lava-jato no Parque Tamariz e chegou a receber atendimento veterinário (Reprodução)

A cadela comunitária Branquinha, conhecida por moradores pelo comportamento dócil, morreu após ser atacada com uma arma branca em Iguaba Grande, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O animal foi encontrado gravemente ferido na última sexta (13) em um lava-jato no Parque Tamariz e chegou a receber atendimento veterinário por dois dias, mas não resistiu às lesões.

A morte de Branquinha gerou comoção entre moradores e levantou novamente o debate sobre a fragilidade das políticas de proteção animal. Apesar de avanços legislativos, como leis que aumentam a pena para maus-tratos a cães e gatos, casos como este continuam a ocorrer. A sensação de impunidade permanece, já que investigações muitas vezes não resultam em punições exemplares.

A Secretaria de Proteção Animal e a Defesa Civil atuaram no resgate e agora investigam o crime em parceria com a 129ª DP. Imagens de câmeras de segurança da região estão sendo analisadas para identificar os responsáveis.

O caso Orelha e a insuficiência das leis

Em janeiro deste ano, o cão comunitário Orelha foi brutalmente agredido na Praia Brava, em Itajaí (SC), e morreu em decorrência dos ferimentos. O episódio mobilizou moradores, autoridades e ativistas, reacendendo a discussão sobre a necessidade de endurecer a legislação contra maus-tratos. A Polícia Civil de Santa Catarina ainda investiga o caso.

Apesar da criação de normas mais rígidas após casos como o de Orelha, especialistas apontam que a aplicação prática da lei é falha. A pena prevista pode chegar a cinco anos de prisão, mas raramente resulta em encarceramento efetivo. A falta de fiscalização e a legislação ultrapassada não impedem novos crimes.

Impunidade que alimenta a covardia

A repetição de ataques contra cães comunitários revela um padrão: a violência prospera quando não há punição exemplar. Branquinha e Orelha são símbolos da vulnerabilidade dos animais em espaços públicos e da urgência de políticas mais efetivas.

– Fiscalização insuficiente: municípios carecem de equipes e recursos para monitorar denúncias.
– Legislação branda: processos de maus-tratos raramente resultam em condenações rápidas.
– Cultura de impunidade: a percepção de que “não dá em nada” incentiva novos atos de crueldade.

A morte de Branquinha não é um caso isolado, mas parte de uma triste sequência que expõe a fragilidade da proteção animal no Brasil. Enquanto a lei não for aplicada com rigor e a sociedade não cobrar punições exemplares, a covardia continuará a se repetir.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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