Planalto acuado: Congresso impõe sequência de derrotas e expõe fragilidade política de Lula

Jefferson Lemos
Foto - IA

A derrubada do veto ao PL da dosimetria e a rejeição inédita de Jorge Messias ao STF, em menos de 24 horas, cristalizaram um problema que o governo Luiz Inácio Lula da Silva não consegue esconder: falta força no Congresso. As duas votações recentes escancararam a incapacidade do Planalto de garantir maioria até em pautas consideradas prioritárias — ou mesmo em decisões de caráter pessoal do presidente.

Na votação da dosimetria, deputados e senadores atropelaram o veto presidencial com ampla margem, impondo uma derrota direta à narrativa de endurecimento contra os atos de 8 de janeiro. Já no caso de Messias, o Senado foi além: rejeitou pela primeira vez em mais de um século um indicado ao Supremo, um recado político claro de insatisfação e independência em relação ao Executivo.

Os episódios são apenas o topo de uma sequência de reveses acumulados desde o início do mandato. O governo já viu o Congresso derrubar vetos em áreas sensíveis como meio ambiente e agrotóxicos, sustar medidas fiscais, esvaziar ministérios e até deixar caducar propostas consideradas estratégicas pela equipe econômica. Em comum, todas as derrotas revelam um padrão: o Planalto negocia, mas não controla.

A raiz do problema é estrutural. Sem maioria sólida, o governo depende de uma base fragmentada e volátil, enquanto enfrenta um Congresso mais poderoso, munido de controle orçamentário e disposto a impor sua própria agenda. Quando interesses econômicos, bancadas temáticas e oposição se alinham, o resultado tem sido previsível: derrota para o Planalto.

No terceiro mandato, Lula encara um cenário bem mais hostil do que nos anteriores. Com um Legislativo fortalecido e menos disposto a seguir o Executivo, o presidente vê sua agenda ser desidratada voto a voto — e, cada vez mais, substituída pela vontade do Congresso, tornando a perspectiva de reeleição cada vez mais distante.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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