Depois de prometer uma redução no preço do diesel que evaporou em menos de 24 horas, o governo Lula resolveu mirar em outro alvo: as empresas que pagam abaixo da tabela de frete. A estratégia é vender a ideia de que está “protegendo os caminhoneiros” e evitar uma paralisação nacional. Só que, no detalhe, o problema central — o combustível cada vez mais caro — continua sem solução.
O pacote de medidas
O Ministério dos Transportes e a ANTT anunciaram reforço na fiscalização do frete mínimo, uso ampliado de ferramentas digitais como o Ciot (Código Identificador da Operação de Transporte) e punições mais duras para empresas reincidentes.
Nos últimos meses, gigantes como MBRF, Vibra, Raízen, Ambev e Cargill já foram autuadas. Em valores, destacam-se também Motz Transportes, Transágil, Unilever e Spaul Indústria de Bebidas.
Diesel: a conta que não fecha
Na semana passada, o governo zerou tributos e prometeu redução de até R$ 0,64 por litro. No dia seguinte, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38, acompanhando a alta internacional do petróleo, pressionado pela crise no Oriente Médio.
Resultado: o caminhoneiro continua pagando mais caro para rodar, e a promessa de alívio virou fumaça.
Caminhoneiros em alerta
A categoria intensificou articulações para uma paralisação nacional. Assembleias em estados como São Paulo, Paraná e Goiás já deram aval para a greve.
O ministro Renan Filho tentou acalmar os ânimos: “Quem move o país são os caminhoneiros”, apelou.
O problema real
Fiscalizar frete é importante, mas não resolve o dilema básico: frete justo não enche tanque vazio. Sem uma política eficaz para segurar o preço do diesel, o risco de paralisação continua real.
Em outras palavras, o governo fez o dever de casa burocrático, mas deixou a conta do combustível sem resposta.
