Lula tenta segurar conta de luz em ano eleitoral — reedição da manobra de Dilma?

Jefferson Lemos

Presidente parece reeditar o ‘truque da luz’ de Dilma, mas com rombo fiscal e reajustes à vista, o consumidor já sabe quem paga a fatura

Em 2013, Dilma Rousseff reduziu tarifas de energia em até 18% para residências, vendendo a medida como motor de competitividade e alívio para famílias. O efeito imediato foi popular — e útil para sua reeleição em 2014. O efeito colateral? Uma dívida superior a R$ 62 bilhões com concessionárias, que se traduziu em aumentos pesados logo depois. O consumidor, claro, pagou a conta.

Agora, Lula parece ensaiar um replay. O Ministério de Minas e Energia enviou ofício à Aneel pedindo o adiamento dos reajustes de março de 2026, alegando necessidade de “análises” e “tratativas institucionais” para mitigar impactos. O tom é de quem quer ganhar tempo e evitar manchetes negativas em pleno calendário eleitoral.

O cenário atual: inflação dobrada

A realidade, porém, é menos cinematográfica. A Aneel projeta que a conta de luz suba 8% em 2026, praticamente o dobro da inflação oficial estimada em 4,1% pelo boletim Focus. Em alguns estados, o choque já começou: 23,2% em Roraima, 14,2% para clientes da Enel no Rio de Janeiro e 6,9% para clientes da Light.

O vilão da vez não é apenas a geração ou transmissão, mas os subsídios embutidos na tarifa, cobrados via CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). Só em 2026, esse mecanismo custará R$ 52 bilhões aos brasileiros.

O jogo político

O governo fala em “reajustes próximos de zero” em algumas concessões, dependendo de como redistribuir recursos do setor. Mas, convenhamos, não há mágica: se não sobe agora, sobe depois. O adiamento pode até render manchetes simpáticas, mas não elimina o custo estrutural. É como empurrar a geladeira para debaixo do tapete e fingir que a sala está arrumada.

Quem paga a conta?

No fim, o consumidor. Seja com aumentos diretos, seja com subsídios embutidos, seja com impostos que financiam o setor. A tentativa de Lula de repetir o “truque da Dilma” enfrenta um obstáculo maior: o rombo fiscal e a pressão regulatória. Se Dilma conseguiu maquiar a conta por um tempo, Lula terá de se contentar em tentar segurar o reajuste — e torcer para que o eleitor compre a narrativa.

Dilma reduziu, a conta explodiu. Lula tenta segurar, mas a fatura já está na mesa. E, como sempre, quem paga é você.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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