Carnaval do toma lá, paga cá: taxa da burocracia ameaça atravessar o samba dos blocos de rua

Jefferson Lemos
Foto - Divulgação/Prefeitura do Rio

Os blocos de rua do Rio, que deveriam estar celebrando o incentivo da Riotur para o Carnaval 2026, foram surpreendidos por uma conta nada festiva: R$ 917,72 para publicar seus extratos no Diário Oficial. A taxa, obrigatória para validar o repasse, caiu como confete molhado sobre os organizadores — especialmente os de menor porte, que veem quase um quinto da verba evaporar antes mesmo de comprar o primeiro tamborim.

O samba da burocracia

A justificativa oficial é a transparência administrativa. Mas, na prática, o que se vê é um paradoxo: o dinheiro público destinado a fomentar a cultura acaba sendo parcialmente devolvido ao próprio sistema, em forma de taxa. Para quem recebe a cota mínima de R$ 5 mil, o impacto é direto — menos recursos para instrumentos, segurança e infraestrutura, mais dor de cabeça para quem só queria desfilar.

Menos apoio, mais custo

Organizadores afirmam que o modelo atual compromete o objetivo do edital. Afinal, incentivo cultural que chega com pedágio embutido soa mais como ironia do que como política pública. “É como ganhar um presente e ter que pagar pelo embrulho”, resumem alguns representantes.

Clamor por revisão

Diante da indignação, blocos pedem que a Riotur repense a exigência. Entre as alternativas sugeridas estão centralizar os extratos em uma única publicação ou absorver o custo com recursos administrativos. Em outras palavras: deixar que os foliões gastem com batuques e fantasias, não com burocracia.

  • com informações da Agenda do Poder
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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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