Os blocos de rua do Rio, que deveriam estar celebrando o incentivo da Riotur para o Carnaval 2026, foram surpreendidos por uma conta nada festiva: R$ 917,72 para publicar seus extratos no Diário Oficial. A taxa, obrigatória para validar o repasse, caiu como confete molhado sobre os organizadores — especialmente os de menor porte, que veem quase um quinto da verba evaporar antes mesmo de comprar o primeiro tamborim.
O samba da burocracia
A justificativa oficial é a transparência administrativa. Mas, na prática, o que se vê é um paradoxo: o dinheiro público destinado a fomentar a cultura acaba sendo parcialmente devolvido ao próprio sistema, em forma de taxa. Para quem recebe a cota mínima de R$ 5 mil, o impacto é direto — menos recursos para instrumentos, segurança e infraestrutura, mais dor de cabeça para quem só queria desfilar.
Menos apoio, mais custo
Organizadores afirmam que o modelo atual compromete o objetivo do edital. Afinal, incentivo cultural que chega com pedágio embutido soa mais como ironia do que como política pública. “É como ganhar um presente e ter que pagar pelo embrulho”, resumem alguns representantes.
Clamor por revisão
Diante da indignação, blocos pedem que a Riotur repense a exigência. Entre as alternativas sugeridas estão centralizar os extratos em uma única publicação ou absorver o custo com recursos administrativos. Em outras palavras: deixar que os foliões gastem com batuques e fantasias, não com burocracia.
- com informações da Agenda do Poder
