Enquanto o Centro do Rio tenta se reerguer com iniciativas como o programa Reviver Centro, o peso do IPTU cresce sobre moradores e comerciantes que ainda convivem com ruas degradadas e lojas fechadas. O imposto, impulsionado pela atualização da planta de valores, reflete uma valorização que não corresponde à realidade de quem vive a rotina da região.
Foi nesse cenário que a Câmara Municipal realizou, nesta terça-feira (31), a primeira reunião da Comissão Especial criada para revisar os critérios de cobrança do IPTU. O grupo, formado pelos vereadores Willian Coelho (sem partido), Rafael Aloísio Freitas (PSD), Pedro Duarte (PSD) e Rogério Amorim (PL, suplente), nasceu após uma enxurrada de queixas de contribuintes que se dizem sufocados pelo aumento abrupto do tributo.
O que está em jogo
– Moradores relatam distorções nos cálculos, que tornam inviável o pagamento.
– O Centro, apesar de projetos de revitalização, ainda enfrenta abandono e imóveis vazios, mas continua com valores de referência elevados.
– A comissão promete investigar junto à Prefeitura os critérios usados e propor ajustes.
O vereador Willian Coelho, autor do requerimento que criou o colegiado, destacou que “o modelo atual apresenta distorções que precisamos entender. Temos que saber se os critérios estão de acordo com a realidade da população carioca”. Já Pedro Duarte reforçou a contradição: “O Centro estava em alta nos últimos anos, mas hoje ainda há muitas lojas vazias e ruas degradadas. O valor do imóvel não reflete essa realidade”.
Próximos passos
A comissão definiu que a primeira audiência pública será em 28 de abril, no plenário da Câmara, com a participação de contribuintes. Em seguida, haverá uma segunda audiência com a Secretaria Municipal de Fazenda, para cobrar explicações sobre os parâmetros usados na definição do imposto.
O debate promete ser acalorado: de um lado, a preocupação com o aumento da arrecadação; do outro, a pressão de uma população que sente na pele o peso de um imposto que não espelha sua realidade.
