O debate sobre a regulamentação do trabalho intermediado por plataformas digitais ganhou um novo capítulo com as declarações do ex-deputado Marcelo Ramos, atual vice-presidente de Relações Institucionais da Amobitec. Em tom crítico, Ramos acusou o governo de tentar “escolher o sonho” dos trabalhadores de aplicativos, ignorando o desejo de autonomia e flexibilidade que, segundo ele, move a maioria desses profissionais.
Autonomia acima da carteira assinada
Ramos afirmou que muitos entregadores e motoristas não buscam empregos formais, mas sim liberdade para administrar o próprio tempo e ampliar a renda. “Quem somos nós para querer sonhar os sonhos deles?”, questionou, ao defender que empreender ou atuar de forma autônoma representa para esses trabalhadores uma promessa de prosperidade e qualidade de vida.
Crítica à esquerda e ao governo
O vice-presidente da Amobitec acusou setores da esquerda de manter uma visão ultrapassada sobre o mercado de trabalho e de insistir em intervir em negociações que, segundo ele, já vêm sendo conduzidas pelos próprios trabalhadores. “Eles não chamaram o governo, não querem o governo, e a maioria é hostil ao governo”, disparou.
Eleições no horizonte
Ramos também levantou dúvidas sobre a estratégia política do governo ao se envolver no tema às vésperas das eleições. Para ele, a medida pode gerar desgaste junto a motoristas, entregadores e consumidores das plataformas. “Teve três anos e não regulamentou, vai regulamentar agora, às vésperas da eleição?”, provocou.
O temor do consumidor
Além da disputa política, Ramos destacou o receio dos usuários quanto ao aumento dos preços dos serviços caso a regulamentação avance. Ele citou pesquisa que aponta que o maior sonho da periferia hoje não é a carteira assinada, mas sim ter o próprio negócio — sinal, segundo ele, de que o governo precisa se adaptar a uma nova realidade.
Esse embate expõe uma tensão central: de um lado, a tentativa de atualizar a legislação para proteger trabalhadores; de outro, a defesa da autonomia e da flexibilidade como valores fundamentais da economia digital. Ramos aposta que, se o governo insistir em “regular o sonho alheio”, pode perder não apenas apoio político, mas também a sintonia com uma geração que já enxerga o trabalho de forma diferente.
- com informações do Congresso em Foco
