Cofres abertos, medalhas reluzentes: a pressa da Prefeitura em gastar antes de mostrar resultados

Jefferson Lemos
Foto - Divulgação/PMRJ

A Prefeitura do Rio autorizou a compra de R$ 55,5 mil em medalhas para a recém-criada Força Municipal, divisão de elite da Guarda Municipal. A aquisição foi feita sem licitação, diretamente com a empresa Tocoin Moedas. A justificativa é “elevar o moral da tropa”, mas o gasto chama atenção por acontecer antes mesmo de a recém criada unidade ter tempo de mostrar resultados concretos nas ruas.

A Força Municipal começou a atuar em março, patrulhando áreas turísticas e comerciais como Cinelândia, Presidente Vargas e Jardim de Alah. Atualmente com cerca de 600 agentes, a prefeitura abriu inscrições para mais 600 vagas de formação, mirando dobrar o efetivo e expandir para bairros da Zona Oeste.

O investimento em medalhas é apenas um detalhe dentro de um orçamento que já ultrapassa R$ 60 milhões para a implementação da Força Municipal. Parte desse montante vem de um convênio de R$ 29,9 milhões com o governo federal, válido por três anos, que inclui até a utilização da sede da PRF como academia de formação.

Enquanto a tropa ainda engatinha em sua atuação, o caixa público já corre para bancar medalhas e reforçar a imagem da nova unidade. O discurso oficial fala em “elevar o moral”, mas o que se vê é a pressa em gastar — e transformar a Força Municipal em vitrine política reluzente.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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