Um embate acalorado marcou a reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (8). A deputada Rosana Valle (PL-SP) ameaçou recorrer à Lei Maria da Penha contra a presidente do colegiado, Erika Hilton (PSOL-SP), alegando que a parlamentar teria “a força de um homem” e que qualquer atitude considerada agressiva poderia configurar violência contra a mulher.
Críticas à condução da Comissão
Rosana Valle afirmou que a eleição de Erika Hilton para a presidência representou um “desserviço” e transformou o colegiado em espaço de “militância ideológica”. Ela reclamou da falta de votação de pautas relevantes, como seu requerimento para debater a prevenção e o tratamento da endometriose, e criticou a ausência da ministra das Mulheres, Marcia Lopes, em reuniões da Comissão.
Segundo Valle, o governo federal executou apenas 15% da verba destinada ao Plano de Ação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios nos últimos dois anos, o que, em sua visão, deveria ser prioridade nos debates.
‘Força de homem’
A declaração provocou reação imediata de parlamentares de esquerda no colegiado. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) classificou a fala como transfóbica, enquanto outras parlamentares também se manifestaram em defesa de Hilton. Em resposta, a presidente da Comissão acusou Valle de estar ali “em busca de likes”.
Clima de tensão
O episódio expôs a polarização dentro da Comissão e evidenciou o choque entre diferentes visões sobre o papel do colegiado. De um lado, parlamentares do PSOL defendem a atuação de Hilton como presidente; de outro, Valle e aliadas acusam a condução de ser marcada por “incisividade agressiva” e “militância”.
O resultado foi uma sessão marcada por acusações, interrupções e um clima de tensão que promete reverberar nos próximos encontros da Comissão.
