Paes recua, Ruas avança e indecisos inflam disputa: cenário aberto ameaça liderança do favorito

Jefferson Lemos
Foto - PMRJ/Alerj

A nova rodada da pesquisa Prefab Future revela o que pode ser o início de uma virada silenciosa, mas relevante, na corrida pelo Governo do Rio: enquanto Eduardo Paes (PSD) mantém a liderança, seus números recuam, e Douglas Ruas (PL) cresce de forma consistente, reduzindo a distância e sinalizando um cenário mais competitivo do que parecia meses atrás.

No levantamento, Paes aparece com 40,8% das intenções de voto — ainda à frente, mas abaixo do pico recente de 43%. Já Douglas Ruas salta para 9,2%, praticamente dobrando sua pontuação desde fevereiro, quando tinha 5,1%. É o movimento de alta mais significativo entre todos os pré-candidatos.

O dado, por si só, já chama atenção. Mas o cenário se torna ainda mais desafiador para o líder quando se observa o tamanho do eleitorado em aberto: 20,4% dos entrevistados dizem não saber em quem votar, enquanto outros 18,5% declaram voto branco ou nulo. Na prática, quase 4 em cada 10 eleitores ainda não têm escolha definida.

Além disso, a rejeição surge como fator de risco para Paes. O prefeito registra 20,7% — um dos índices mais altos do levantamento, atrás apenas de Wilson Witzel, que lidera nesse quesito. Em contraste, Douglas Ruas aparece com apenas 2,5% de rejeição, o que indica amplo espaço para crescimento.

Esse conjunto de fatores — queda do líder, avanço do principal concorrente, alta rejeição e grande volume de indecisos — redesenha a disputa e indica que o jogo está longe de decidido.

A própria série histórica reforça a tendência: Paes vinha estável acima dos 35% desde 2025, mas agora mostra oscilação negativa. Já Ruas, que sequer pontuava no ano passado, emerge como o principal nome em ascensão.

O cenário remete ao histórico recente da política fluminense. Em 2018, o próprio Paes iniciou a corrida como favorito ao governo, mas acabou ultrapassado na reta final por Witzel, em uma virada impulsionada justamente por rejeição elevada e mudanças tardias no voto.

Agora, os números sugerem que uma nova reconfiguração pode estar em curso. Com grande parte do eleitorado ainda indefinida e um adversário em crescimento, a liderança de Paes segue relevante — mas já não parece mais intocável.

O levantamento foi realizado entre 17 e 22 de abril de 2026, com 2.000 entrevistas presenciais, margem de erro de 2,19 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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