O plano do governo para salvar os Correios dá sinais claros de fracasso diante de um prejuízo que disparou para R$ 8,5 bilhões — e expõe não apenas falhas de gestão, mas também escolhas políticas que ajudaram a moldar o cenário atual.
Logo no início do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou a estatal do Programa Nacional de Desestatização (PND), barrando o processo de privatização que havia sido iniciado no governo anterior. A decisão foi oficializada por decreto e incluiu os Correios entre as empresas excluídas dos planos de venda ao setor privado.
Na prática, o governo optou por manter a estatal sob controle público — mas, segundo economistas, sem apresentar um modelo sustentável para enfrentar a transformação do mercado postal e logístico.
Agora, com o prejuízo mais que triplicando em um ano, especialistas apontam que o plano de reestruturação adotado não resolve o problema central: um modelo de negócios considerado ultrapassado, pressionado pela digitalização e pela concorrência agressiva no comércio eletrônico.
Analistas ouvidos pelo CNN Money afirmam que medidas como fechamento de agências, demissões, venda de ativos e um empréstimo bilionário podem até aliviar o caixa no curto prazo — mas não evitam o agravamento da crise.
Para o economista Murilo Viana, os Correios perderam competitividade e operam com uma estrutura “antiquada e cara”. Já Fabio Couto avalia que o plano atual funciona como um paliativo: injeta recursos, mas não corrige distorções estruturais.
O alerta mais grave é fiscal. Como operações financeiras da estatal contam com garantia do Tesouro, o rombo pode acabar recaindo sobre as contas públicas.
A economista Elena Landau vai além: afirma que falta um plano real de futuro. Sem uma definição clara sobre o papel dos Correios — seja como operador estatal, empresa parcialmente privatizada ou modelo híbrido — a tendência, segundo ela, é de agravamento contínuo da crise.
No fim dessa equação, a conta dificilmente fica dentro dos muros dos Correios. Com prejuízos crescentes, necessidade de aportes e operações garantidas pelo Tesouro, o rombo tende a ser absorvido direta ou indiretamente pelo cidadão — seja via aumento da dívida pública, pressão por mais impostos ou cortes em outras áreas essenciais.
Sem uma solução estrutural, o que hoje é crise de gestão se transforma em mais um peso no bolso do contribuinte.
