A inflação segue fora de controle nas expectativas do mercado e já acumula oito semanas consecutivas de alta nas projeções para 2026, segundo o boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira (4). O novo avanço, ainda que aparentemente pequeno, escancara um problema persistente: a dificuldade de trazer os preços de volta à meta enquanto o custo de vida segue pressionando a população.
Na última decisão, o Banco Central reduziu os juros para 14,5% ao ano, mas adotou um tom cauteloso, deixando claro que novos cortes dependerão da evolução dos dados — e reconhecendo o distanciamento da inflação em relação à meta.
A projeção para o IPCA em 2026 subiu para 4,89%, marcando a oitava alta seguida e ficando acima do centro da meta de 3%, mesmo com a margem de tolerância. Na prática, isso significa preços mais altos por mais tempo, corroendo o poder de compra e ampliando a sensação de aperto no dia a dia.
Enquanto isso, a economia patina: o crescimento do PIB segue limitado a 1,85% neste ano e perdeu força nas estimativas futuras. O resultado é um cenário clássico de pressão dupla — inflação resistente e crescimento fraco — em que, no fim das contas, quem paga a conta é o brasileiro comum, com renda comprimida e cada vez menos margem no orçamento.
