Enquanto o Amazonas escolhe um governador-tampão, o Rio de Janeiro segue preso a um imbróglio judicial provocado pelo partido do prefeito Eduardo Paes — um contraste que escancara como duas crises institucionais podem ter destinos completamente distintos. Nesta segunda-feira (4), os 24 deputados estaduais amazonenses elegeram, por unanimidade e em votação aberta, o deputado Roberto Cidade (União Brasil) como governador interino, com Serafim Corrêa (PSB) como vice. A posse aconteceu no mesmo dia, sem ruído, sem disputa judicial e com rito constitucional respeitado do início ao fim.
A eleição indireta foi consequência direta da renúncia do governador Wilson Lima e de seu vice, Tadeu de Souza, que deixaram os cargos dentro do prazo legal para disputar as eleições de outubro. A manobra política pode até ter surpreendido, mas seguiu exatamente o que determina a legislação eleitoral, abrindo caminho para que a Assembleia Legislativa resolvesse a sucessão de forma rápida e legítima. Em poucas horas, o Amazonas saiu da interinidade para um novo comando — um exemplo raro de previsibilidade institucional no cenário político brasileiro.
Já no Rio, o que deveria ser um processo automático virou uma novela jurídica. A sucessão no Executivo estadual, que em tese seguiria a linha direta prevista na Constituição, acabou travada por disputas políticas judicializadas, alimentadas por interesses que extrapolam o campo institucional. O resultado é um ambiente de insegurança, onde decisões são contestadas, liminares se acumulam e a governabilidade fica em segundo plano.
