TINTA NO CHÃO E RISCO NA PISTA: ciclovias improvisadas viram alvo de críticas na Alerj

Jefferson Lemos
Foto - Octacílio Barbosa

“Pegaram uma faixa dos carros e enfiaram uma ciclovia ali, sem estrutura nenhuma.” A fala do deputado Anderson Moraes (PL) resumiu o clima na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro neste Dia Mundial da Bicicleta: mais do que comemoração – muita preocupação.

Durante a sessão desta quarta (3), ele citou um caso concreto: “Na Avenida Hernani Cardoso, em Cascadura, reduziram uma faixa dos carros pra fazer ciclovia. Resultado? Trânsito pior e nenhuma estrutura pro ciclista.” E resumiu o problema com uma frase direta:
“Descobriram um santo pra cobrir outro.”

A crítica escancara um padrão, segundo ele: ciclovias feitas no improviso, sem estudo e sem segurança. “Sou totalmente a favor de ciclovia. Mas tem que ser feita com responsabilidade, com planejamento, não desse jeito.”

Quem puxou o tema foi a deputada Tia Ju (REP) que presidia a sessão. Ela também expôs outro problema básico: falta estrutura até dentro do poder público. “A Secretaria de Transporte não tem bicicletário. Como é que vai falar de mobilidade urbana assim?”

E foi além, após ser alertada pela colega Franciane Motta (Pode): “Aqui na Alerj também não tem. A gente precisa dar o exemplo.”

Já Carlos Minc lembrou que existem leis sobre o tema, mas admitiu que ainda não dão conta da realidade: “A legislação prevê bicicletários em pontos de integração, mas isso ainda é insuficiente.” Ele tentou resumir o cenário:
“No fim, tudo isso deveria se encontrar numa grande ciclovia da vida.”

No Dia Mundial da Bicicleta, o retrato foi claro: entre promessas, improviso e falta de estrutura, o ciclista segue pedalando no prejuízo.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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