O presidente Lula participou nesta segunda-feira (22) da assinatura da adesão do Rio de Janeiro ao Propag — programa que alivia a dívida bilionária do estado — e posou como protagonista de uma solução histórica. O problema é o que a foto não mostra: o próprio governo tentou esvaziar a medida antes de ela virar realidade.
O Propag foi aprovado pelo Congresso Nacional após meses de articulação. Na hora de sancionar, Lula vetou trechos-chave que garantiam melhores condições para estados endividados, como o Rio.
A resposta veio rápida. Deputados e senadores reagiram, derrubaram parte dos vetos e recolocaram de pé os pontos que realmente fazem diferença no alívio da dívida. Sem isso, o acordo celebrado agora seria, na prática, sem relevância.
No Rio, o peso também caiu sobre a Alerj. Longe dos holofotes, deputados estaduais aprovaram a adesão, autorizaram garantias à União e destravaram a saída do regime fiscal — etapas duras e indispensáveis para viabilizar o acordo.
O retrato final é conhecido: o Congresso constrói, a Alerj ajusta e o Executivo entra no fim. Aparece na foto e leva o crédito de um projeto que ele mesmo tentou derrubar.
