A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entra em campo nesta quarta para votar a LDO de 2027 — e o texto chega turbinado: é um pacote que mistura freio nos gastos, lupa nas contas públicas e uma lista generosa de promessas sociais.
O recado é claro: gastar menos, explicar mais e tentar entregar melhor. As emendas aprovadas apertam o cerco sobre despesas, exigem justificativas técnicas para abrir crédito e colocam o equilíbrio fiscal como condição básica. Na prática, o governo vai ter que pisar no freio antes de acelerar.
Transparência virou palavra de ordem. A nova LDO obriga o detalhamento de tudo: incentivos fiscais, dívidas, gastos com pessoal e até as famosas emendas parlamentares. A ideia é abrir a caixa-preta — inclusive de estatais — para deputados, órgãos de controle e a sociedade.
Outro ponto que mexe com interesses fortes é a revisão dos incentivos fiscais. Benefício sem resultado pode cair. Empresas terão que provar impacto, metas e retorno. Caso contrário, adeus privilégio e corte no chamado “gasto tributário”.
Do lado dos investimentos, a lista é extensa: saúde, educação, segurança, obras de infraestrutura, habitação e até recuperação ambiental. Tem promessa para tudo — de hospital a ferrovia, passando por contenção de encostas e saneamento.
Na segurança pública, o foco é destravar concursos antigos, reforçar efetivo e melhorar estrutura. Também entram na conta melhores condições de trabalho e integração entre forças — uma tentativa de dar resposta à pressão por mais segurança nas ruas.
A área social também ganha espaço: saúde mental, inclusão de pessoas com deficiência, políticas para mulheres, combate à fome e apoio a grupos vulneráveis. É a tentativa de equilibrar o discurso de ajuste com sensibilidade social.
O pacote ainda traz medidas ambientais, com foco em prevenção de desastres, recuperação de rios e adaptação climática — tema que ganhou peso depois das tragédias recentes no estado.
No placar final das emendas, o número mostra o tamanho da negociação: foram mais de 200 aprovadas, muitas com ajustes, enquanto outras tantas ficaram pelo caminho — sinal de disputa pesada nos bastidores.
No fim das contas, a LDO 2027 chega com três pilares bem definidos: controle das contas, mais transparência e ampliação de políticas públicas.
