Pequim corta 12 mil cursos obsoletos e cria 10 mil novas graduações focadas em áreas estratégicas enquanto o Brasil discute pautas ideológicas
Enquanto universidades brasileiras seguem consumidas por debates sobre ideologia de gênero, linguagem neutra e outras pautas identitárias, a China decidiu fazer uma mudança radical: cortou mais de 12 mil cursos superiores considerados ultrapassados e abriu espaço para formações voltadas à inteligência artificial, robótica e tecnologias que devem dominar a economia nas próximas décadas.
A diferença de prioridades ajuda a explicar por que os chineses já desafiam os Estados Unidos na disputa pela liderança econômica e tecnológica mundial.
A reforma do ensino superior faz parte de uma estratégia nacional de Pequim para transformar a China na maior potência em inteligência artificial até 2030. Entre 2021 e 2025, o país eliminou ou suspendeu cerca de 12.200 cursos universitários e criou mais de 10.200 novas graduações focadas em áreas estratégicas, como inteligência artificial, robótica, veículos autônomos, interfaces cérebro-computador, semicondutores, economia digital e computação avançada.
A lógica é simples: formar profissionais para criar as tecnologias do futuro, e não para exercer funções que poderão ser substituídas por algoritmos e inteligência artificial.
Foi justamente essa mudança que chamou a atenção do especialista em educação financeira e investimentos Rob Correa, que reúne quase um milhão de seguidores no Instagram.
Segundo ele, a China fez aquilo que muitos países ainda evitam.
“Eles olharam para o mercado de trabalho, viram quais cursos não faziam mais sentido na era da IA e simplesmente cortaram.”
Entre as áreas que perderam espaço estão Administração, Marketing, Recursos Humanos, Jornalismo, Economia, Design de Moda, Design de Produto e alguns cursos de línguas. No lugar surgiram graduações como Engenharia da Inteligência Artificial, Inteligência Artificial Incorporada (robôs inteligentes), Interfaces Cérebro-Computador, Economia de Baixa Altitude (voltada ao mercado de drones), Veículos Autônomos e Finanças Digitais.
Para Correa, a mensagem é clara.
“Acabaram com os cursos que formam gente para fazer o que a máquina já faz melhor. Agora formam pessoas para construir a máquina e comandar essa revolução.”
O resultado já aparece. A China lidera a produção mundial de drones, domina a fabricação de baterias para veículos elétricos, disputa a liderança em inteligência artificial e avança rapidamente em setores considerados decisivos para a economia do futuro.
