Se depender dos próprios parlamentares, Brasília vai mudar muito pouco em 2026.
Um levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) revela que o Congresso Nacional pode registrar o maior índice de candidatos à reeleição da história. Na Câmara dos Deputados, 448 dos 513 parlamentares — quase 9 em cada 10 — já se movimentam para tentar permanecer no cargo.
E o número ainda pode aumentar. Caso deputados que hoje cogitam disputar outros cargos desistam da mudança, até 495 parlamentares poderão entrar na corrida por mais quatro anos de mandato.
O dado supera o registrado nas eleições de 2022 e reforça uma realidade conhecida da política brasileira: quem já está no poder larga com enorme vantagem.
Com acesso ao fundo eleitoral, emendas parlamentares, estrutura partidária, visibilidade e apoio de lideranças locais, os atuais deputados entram na disputa em condições muito mais favoráveis do que quem tenta chegar pela primeira vez ao Congresso.
Enquanto isso, sobra cada vez menos espaço para caras novas. As regras eleitorais reduziram o número de candidatos que partidos e federações podem lançar, fazendo com que as legendas priorizem quem já tem mandato e potencial de voto.
Senado segue o mesmo caminho
No Senado, o cenário também aponta para a continuidade.
Dos 54 senadores que encerram seus mandatos em 2026, 34 pretendem disputar a reeleição, o equivalente a quase 63% das cadeiras que estarão em jogo.
Os demais devem tentar voos maiores ou diferentes, como governos estaduais, Câmara dos Deputados ou até a Presidência da República.
Mesmo com uma chance maior de renovação do que na Câmara, os atuais senadores também chegam à disputa com a máquina política nas mãos, forte exposição pública e influência nos estados.
