Eleitorado com 60 anos ou mais já representa quase 1 em cada 4 eleitores e, pela primeira vez, supera o número de jovens de 16 a 24 anos
O Brasil chega à eleição com uma mudança histórica: pela primeira vez, o número de eleitores com 60 anos ou mais supera o de jovens entre 16 e 24 anos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 37,46 milhões de pessoas com 60 anos ou mais estão aptas a votar em outubro. Elas representam 23,6% de todo o eleitorado brasileiro — quase 1 em cada 4 eleitores.
Com quase 38 milhões de eleitores acima dos 60 anos, temas como saúde, aposentadoria, medicamentos, segurança, custo de vida, transporte e qualidade dos serviços públicos ganham um peso eleitoral enorme.
Rio de Janeiro tem quase 30% do eleitorado idoso
E o Rio de Janeiro é um caso ainda mais evidente: cerca de 28% do eleitorado fluminense tem 60 anos ou mais. É quase 3 em cada 10 eleitores. A eleição de 2026, portanto, terá uma característica que não pode ser ignorada: os brasileiros mais velhos já são mais numerosos nas urnas do que os jovens de 16 a 24 anos.
Eleitorado idoso não para de crescer
Em 2010, eram cerca de 20,7 milhões de eleitores nessa faixa etária no país. Em 2026, o número praticamente dobrou. O eleitorado total, porém, cresceu em ritmo muito menor.
É uma mudança silenciosa, mas que pode ter enorme impacto nas urnas.
E eles costumam comparecer
Não basta olhar para o tamanho do grupo. É preciso saber quem realmente aparece para votar. Nas eleições de 2022, 85,7% dos eleitores entre 60 e 69 anos compareceram às urnas no primeiro turno. A média nacional foi de 79,1%.
Entre todos os eleitores com 60 anos ou mais, o comparecimento ficou em 65,5%, influenciado pela participação menor dos maiores de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
Ou seja: é um eleitorado numeroso e que, em boa parte, participa ativamente das eleições.
Enquanto os mais velhos crescem, os jovens encolhem
O movimento contrário acontece entre os mais novos. O número de eleitores com até 18 anos caiu 14,5% desde 2022: eram 4,18 milhões e agora são cerca de 3,57 milhões.
E o fenômeno não é apenas eleitoral. Ele acompanha uma transformação demográfica profunda do Brasil.Segundo o IBGE, a parcela da população com 60 anos ou mais praticamente dobrou entre 2000 e 2023, passando de 8,7% para 15,6%.
Ao mesmo tempo, as brasileiras estão tendo cada vez menos filhos. A taxa de fecundidade chegou a 1,57 filho por mulher em 2023.
Menos crianças. Mais idosos. E, naturalmente, um eleitorado cada vez mais velho. A mudança já chegou às urnas.
