Imagens divulgadas pela polícia mostram dezenas de pessoas reunidas em uma quadra no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, durante o que, segundo as investigações, seria um curso de operação de drones promovido por traficantes.
De acordo com a polícia, a capacitação teria ocorrido há cerca de duas semanas e é investigada no contexto do avanço do uso de drones por organizações criminosas no estado. Esses equipamentos vêm sendo adaptados para transportar e lançar artefatos explosivos, inclusive granadas, em ataques contra grupos rivais.
As imagens chamaram a atenção também na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Em discurso na tribuna, a deputada estadual Índia Armelau (PL) relacionou o episódio a um curso gratuito de formação de pilotos de drones destinado a jovens e adultos de comunidades cariocas.
A iniciativa mencionada pela parlamentar recebeu R$ 200 mil em recursos do governo federal e foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Administração Pública e Apoio Universitário do Rio (IBAP-RJ).
“Nunca foi pela minoria, para colocar no mercado de trabalho. Foi apenas para fortalecer o tráfico, para o drone atingir o rival”, afirmou Índia Armelau na Alerj.
A declaração da deputada representa sua avaliação sobre o episódio. Até o momento, as informações apresentadas não demonstram, por si só, que os participantes ou responsáveis pelo curso investigado no Complexo da Penha tenham relação com a capacitação financiada com recursos federais.
Durante o pronunciamento, Índia Armelau também chamou a atenção para os riscos associados ao uso irregular desses equipamentos. Segundo a parlamentar, pilotos têm alertado para a possibilidade de acidentes provocados pela operação inadequada de drones.
O episódio reforça a preocupação das forças de segurança com a incorporação de novas tecnologias por organizações criminosas e com o emprego de drones não apenas para monitoramento de territórios, mas também como instrumentos em confrontos entre grupos rivais.
